2014: Ex-atacante Marinho luta contra alcoolismo e ganha abrigo no Bangu

Mario José dos Reis Emiliano, o Marinho, fez história pelo Bangu, sendo o destaque do Brasileiro de 1985 e o último jogador do clube a ser convocado para a seleção brasileira. Hoje ele caminha com tranquilidade pelas ruas do bairro da Zona Oeste carioca. É querido no bairro, mas, aos 58 anos, está irreconhecível para alguns. E as boas lembranças estão apenas na frágil memória, em meio as dificuldades atuais.

– Isso foi em 80, 80, 80… estou ficando velho, estou até esquecendo tudo… – fala, com dificuldade.

Após dramas familiares, como a morte de um filho por afogamento, e perder o dinheiro que ganhou no futebol com o vício em drogas e no álcool, o ex-jogador sem alternativa, e querer pedir ajuda aos filhos, foi acolhido no clube que o consagrou. Ele hoje vive nas dependências do Bangu, onde atua como auxiliar-técnico do time profissional.

Nascido em Belo Horizonte, Marinho foi revelado no Atlético-MG, passou pelo Botafogo e pela seleção brasileira, onde disputou 15 partidas e chegou às Olimpíadas de Montreal, em 76. Mas foi no Bangu que Marinho ganhou fama, prestígio e muito dinheiro. Ele era um dos xodós de Castor de Andrade, um dos bicheiros mais famosos do Rio. O ex-ponta-direita diz que recebia maços de dinheiro de vivo das mãos de Castor. A criança que catou lixo em Belo Horizonte para sustentar os irmãos, conseguiu comprar mansões e chegou a ter quatro carros na garagem. Mas sua trajetória sempre foi marcada por altos e baixos. A irmã que costumava levá-lo aos treinos morreu atropelada em 1969. Em 1988, enquanto dava entrevista para uma emissora de TV, seu filho se afogou na piscina de casa.

Marinho conta com a ajuda do Bangu para viver

– Foi aí que me perdi um pouco, porque acabei de dar entrevista e ele estava sentado o tempo todo no meu colo. Até hoje tenho um pouco de trauma daquilo. Quando estava com o pessoal no portão, perguntam: cadê o Marlon? Falei: deixei ele aí. Procuramos em tudo, e ele já estava um tanto debaixo d’água. E aí tive de pular, estava com a perna engessada. Quase que eu salvo ele…

A morte do filho fez Marinho se afundar ainda mais. Ele usou cocaína, perdeu a família e até hoje luta para se livrar do álcool.

– Os “amigos” que você acha que são amigos só te levam para furada, e aproveita que você tem dinheiro e está querendo beber porque teve uma perda. E isso aí foi uma bola de neve, vai daqui, dali, quando fui olhar para mim mesmo já tinha perdido tudo, filho, mulher, tudo por causa do álcool. Eu tinha bons carros, agora ando a pé – contou Marinho ao “SporTV News”. Ele perdeu absolutamente tudo, e quase foi morar em uma praça do bairro de Bangu.

– Um dia cheguei a um ponto que pensei: vou acabar ficando nessa praça da Guilherme mesmo, vou dormir aí mesmo – revelou.

Depois de vários casamentos, ele hoje está sozinho. E após tantas dificuldades, alerta os mais jovens, mas também não se dá por vencido.

– Vou ficar aqui mesmo (em Moça Bonita), só a consideração que eles têm por mim aqui ganho muito mais. Estou jogando no ventilador para os jogadores que estão começando agora. Quem pensa que o dinheiro não acaba, acaba sim, e rapidinho. Vai muito rápido. Mas ainda tem tempo para recuperar muita coisa, e vou recuperar, porque sou guerreiro e graças a Deus o que eu preciso ele me dá. Ele já me dando saúde, o resto é comigo. Sempre vou ganhar o jogo.

Marinho fez sucesso com a camisa do Bangu na década de 80