Feitiço, o que só estreava com gols

Uma das primeiras notícias que se tem dele num campo de futebol data de 1912, ele com 11 anos, xeretando num campinho de várzea onde o glorioso Jaceguai Esporte Clube iria enfrentar o não menos fantástico Estrela do Norte.

  – Ei garoto, sabe jogar na ponta esquerda?
  Luz Matoso nem pestanejou: – Jogo em qualquer posição.
  O que ele não sabia, como contou o repórter César Teixeira anos depois no Estado, é que o ponta esquerda que ele iria substituir era o artilheiro do time. Não foi problema: Luiz Matoso fez três gols,sua marca registrada em todas as estréias posteriores, já então famoso como Feitiço, nos times Pinheiros, São bento, Santos, Peñarol, Vasco, palmeiras, São Cristóvão. Diziam que devia ser coisa de feitiçaria.
  Mais tarde diria – e ninguém acredita nisso- que nunca fez um gol que não fosse de bico. Era um jogador de alta técnica que, apesar de ter um chute de bico mortal, marcava de todas as maneiras e era bom cabeceador. Foi tricampeão paulista em 1923, 24 e 25 pelo São Bento e repetiu o feito pelo Santos, em 1929, 30 e 31. Jogando pelo Santos, entre 1926 e 1932, foi um dos maiores artilheiros da história do clube, com 216 gols. Presente o Presidente da república Washington Luís. O juiz apita um pênalti contra os paulistas e brota a confusão. Jogo paralisado, o presidente manda a campo general com uma ordem: que a partida recomece.
  -Diga a sua excelência- respondeu Feitiço ao general – que ele manda no Catete. Aqui mandamos nós.
  E o jogo não recomeçou. feitiço foi punido com a expulsão da CBD. Isso não o abalou: pegou suas malas e transferiu-se para o Peñarol, onde jogou por três temporadas e foi campeão. Voltou ao futebol brasileiro com 35 anos, pelo Vasco e estreou contra o Botafogo, marcando só dois gols. Aqui, o feitiço não funcionou

Fonte: Revista Placar, Jornal dos Esportes, Jornal do Brasil, Jornal o globo, Tribuna de Minas e Arquivo Pessoal Márcio Guerra