Formação Econômica do Brasil, de Celso Furtado, permanece entre as obras que melhor explicam o país e ganha reedição da Companhia das

TEXTO PUBLICADO NO CADERNO PENSAR DO CORREIO BRAZILIENSE

UNANIMIDADE NACIONAL

NELSON TORREÃO

DA EQUIPE DO CORREIO

Quando faziam as entrevistas para Conversas com economistas brasileiros (Editora 34 Ltda., São Paulo, 1996), Ciro Biderman, Luís Felipe L. Cosac e José Marcio Rego se defrontaram com uma unanimidade – de Delfim Netto a Maria da Conceição Tavares, passando por Roberto Campos, todos os entrevistados citavam Formação Econômica do Brasil, de Celso Furtado, entre os livros mais importantes que haviam lido.

A obra deve sua importância à originalidade das teses defendidas por Furtado sobre o desenvolvimento econômico do Brasil. Recorrendo às ferramentas de análise da escola estruturalista – da qual Furtado e o economista argentino Raul Prebisch foram os pais –, Formação Econômica do Brasil sustenta que o subdesenvolvimento do país se deve a características históricas que tornam o país diferente das economias desenvolvidas.

Ao reivindicar essas especificidades, Furtado descarta, como inapropriada, a aplicação de conceitos da teoria econômica europeia ao caso brasileiro. As respostas para entender o problema do subdesenvolvimento nacional não deveriam ser buscadas apenas na teoria econômica, mas também nas estruturas sociais, política e institucionais que se geraram ao longo da história. É nesse ponto que reside a primeira contribuição metodológica de Formação Econômica do Brasil, primeiro volume da obra completa do autor, que será publicada integralmente pela Companhia das Letras – o próximo lançamento será A economia latino-americana.

Nascido em 1920 em Pombal, na Paraíba, Furtado formou-se em direito na Universidade do Brasil, em 1944, decidindo dedicar-se à economia. Defendeu sua tese de doutorado na Universidade de Sorbonne, em Paris, onde estudou de 1946 a 1948. Em 1949 transferiu-se para a recém-fundada Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina e Caribe (Cepal), onde chefiou a Divisão de Desenvolvimento Econômico.

Celso Furtado não era um acadêmico tradicional. Politicamente engajado, usava seus textos como instrumento de luta. Via na ação planejadora do Estado o único caminho para o desenvolvimento econômico, que viria com a industrialização. Talvez por causa desse engajamento nunca foi aceito numa universidade brasileira, apesar de ter ministrado aulas em Cambridge (Inglaterra), Harvard e Columbia (EUA) e Sorbonne, de onde se tornou professor de carreira. Chegou a candidatar-se a uma cátedra na Faculdade de Economia e Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro, mas o concurso ficou suspenso enquanto ele pleiteou o cargo. Teve, porém, importante participação executiva em diversos órgãos, como a Cepal – berço da teoria estruturalista; a Sudene – que ajudou a criar e da qual foi o primeiro superintendente; e o Ministério do Planejamento, no governo João Goulart. Como técnico, introduziu no país metodologias pioneiras de planejamento econômico, mas amargou um fracasso – o Plano Trienal, que formulou para o governo Goulart, em dezembro de 1962, resultou, muito ao contrário do pensamento do autor, num simples programa recessivo de estabilização econômica. Voltou então à Sudene, até que o Ato Institucional nº. 1, em abril de 1964, cassou-lhe os direitos políticos. Deixou o país, fixando-se no ano seguinte em Paris. O último cargo público que exerceu foi o de ministro da Cultura no governo José Sarney (1985-1990). Morreu no Rio de Janeiro em 2004.

LÓGICA HISTÓRICA

O enfoque globalizante de Formação Econômica do Brasil, que impressionou Delfim Netto – “aquela interpretação integral, global, transmite uma lógica para a história que é absolutamente fantástica” – é, como disse Furtado aos autores de Conversas com economistas brasileiros, uma das chaves para a permanência da obra:

“A novidade que impressionou muita gente, inclusive na Europa – [Fernand] Braudel, um importante historiador, admirou-o muito por isso –, foi que eu coloquei o país na história global. O Brasil nasce como parte de um processo de desenvolvimento e expansão da Europa. Essa ligação entre a formação da economia brasileira e o processo da economia global era uma visão nova.” (p. 75).

Da interpretação furtadiana dos ciclos econômicos brasileiros – a agricultura tropical da cana-de-açúcar, a economia escravista mineira do ciclo do ouro, a transição para o trabalho assalariado, com o fim da escravidão – emerge uma estrutura produtiva dual, caracterizada pela convivência entre um setor de alta produtividade, ligado às exportações, e outro, o setor de subsistência, de baixa produtividade. Essa dualidade, que impediu o crescimento do mercado interno, responde pelas dificuldades do processo de desenvolvimento brasileiro, como a baixa capacidade de investir, as recorrentes crises fiscais e do balanço de pagamentos e a inflação. A correta interpretação desse fenômeno exigia, para Furtado, um novo instrumental metodológico. Quando analisa a dificuldade do país para se adaptar ao padrão-ouro, na fase da transição do trabalho escravo para o assalariado, Furtado escreve:

“Esse problema não preocupou os economistas europeus, que sempre teorizaram em matéria de comércio internacional em termos de economias de grau de desenvolvimento mais ou menos similar, com estruturas de produção não muito distintas e com coeficientes de importação relativamente baixos.” (Formação Econômica do Brasil, p. 161-2).

 Outra contribuição importante de Formação econômica do Brasil é a descrição da gênese do processo de industrialização do país. Nos últimos capítulos do livro Furtado demonstra que

“(…) a industrialização do Brasil dos anos 30 se fez sem política de industrialização propriamente. Esta surgiu com Volta Redonda, muito tempo depois. Houve industrialização, só que sem política. Isso até hoje impressiona. E como foi possível então? Mostrei a criação de demanda efetiva, que decorria do grande pecado que era queimar café. Queimaram oitenta milhões de sacas de café, e isso criou uma demanda efetiva que sustentou a economia.” (entrevista em Conversas com economistas brasileiros, p. 75).

Para demonstrar suas teses, Furtado recorre a comparações com a economia norte-americana, o que em certos casos resulta em conclusões surpreendentes. Por exemplo, a de que, depois do crack da Bolsa de Valores de Nova York, em 1929, os Estados Unidos continuaram afundando, enquanto Brasil crescia já a partir de 1932:

“Portanto, não crescia como economia reflexa, mas por dinâmica própria. Inventei o conceito de deslocamento do centro dinâmico. Isso fez com que muita gente compreendesse melhor o Brasil, o que considero o lado mais sedutor do livro” (entrevista em Conversas com economistas brasileiros, p. 75).

A crise de 1929 marca, para Furtado, o fim de uma fase da economia brasileira, a partir da qual os investimentos se deslocam do setor exportador para setores do mercado interno. Essa ideia de “deslocamento do centro dinâmico” transformou-se, nas palavras de Ricardo Bielschowsky (Pensamento econômico brasileiro: o ciclo ideológico do desenvolvimentismo, 4 ed., Rio de Janeiro: Contraponto: 2000), “numa espécie de paradigma da análise da história econômica brasileira da primeira metade do século 20.” (p. 141)

PERSUASÃO

O poder de persuasão da retórica furtadiana explica a atração que Formação Econômica do Brasil continua a exercer sobre os leitores quase meio século depois de escrito. “Ao escrevê-lo” – diz Furtado no prefácio à primeira edição – “o autor teve em mira apresentar um texto introdutório, acessível ao leitor sem formação técnica e de interesse para as pessoas – cujo número cresce dia a dia – desejosas de tomar um primeiro contato em forma ordenada com os problemas econômicos do país.”

Para Delfim Netto, Formação Econômica do Brasil pode ser lido como um romance. Isso é verdade, pelo menos nos capítulos iniciais. A quarta parte, que trata da transição para o trabalho assalariado e na qual são apresentadas as inovações metodológicas do pensamento de Furtado, porém, exige alguma ajuda. O leitor interessado poderá encontrá-la no livro de Ricardo Bielschowsky citado acima, especialmente na seção que trata do pensamento desenvolvimentista nacionalista (p.127 e seguintes).

Num momento em que o principal tema da agenda econômica é a aceleração do crescimento, a leitura de Formação Econômica do Brasil conserva sua utilidade, apesar das inevitáveis revisões, especialmente dos dados numéricos apresentados pelo autor para defender suas teses.

Os economistas Renato Baumann e Ricardo Bielschowsky comentam para o Correio a gênese e as teses de Formação Econômica do Brasil. Baumann é diretor do escritório da Cepal no Brasil, e Bielschowsky, economista sênior da instituição, é autor de um livro sobre o “ciclo ideológico do desenvolvimentismo” no pensamento econômico brasileiro.

O que explica a influência e a permanência de Formação Econômica do Brasil?

Renato Baumann – É a primeira tentativa de analisar o processo de formação histórica brasileira levando em conta características locais, culturais, institucionais como um determinante do desempenho e do potencial de cada economia. Essa metodologia está presente no Manifesto do Prebisch, de 1948, e em vários documentos iniciais da Cepal. Depois da Segunda Guerra Mundial havia uma preocupação grande – que depois veio a ser sistematizada na Teoria do Desenvolvimento – sobre como fazer com que certas economias reduzissem sua distância em relação a economias mais avançadas. Há uma ênfase no positivismo, no cientificismo, no planejamento para identificação de rumos e, portanto, determinação de formas de intervenção do Estado. Furtado foi um dos primeiros a trazer para a América Latina o uso de técnicas de planejamento, como a programação linear, que naquela época era fronteira tecnológica. O relativo sucesso da então União Soviética em implementar indústrias de base, que superou todas as expectativas, também não pode ser esquecido como um referencial importante.

Como essa situação repercutiu na América Latina?

Renato Baumann – De um lado você tinha o Plano Marshall na Europa, portanto um desafio de como alocar aquela massa de recursos. E, de outro, os países da América Latina, que tentaram ter um Plano Marshall e nunca conseguiram. Então, se não tinham apoio externo, era necessário fazer alguma coisa internamente para mudar sua posição no cenário internacional. Daí as recomendações de industrialização a qualquer preço, e para isso a necessidade de entender os processos históricos de cada sociedade, de cada economia. Furtado faz um esforço de sistematização do que depois veio a ser o modelo de dois hiatos, as limitações ao crescimento em função das dificuldades do balanço de pagamentos e das limitações da poupança interna, que depois, do final de década de 1970 pra cá, foi perdendo espaço porque a economia passou a conceber o agente econômico como um indivíduo representativo em qualquer circunstância. Com isso você perdeu a possibilidade de considerar aquilo que era o núcleo da visão estruturalista, desenvolvimentista, que são as características estruturais, institucionais, diferenças de reação entre duas economias de rendas per capita diferentes, relações entre agentes econômicos diferentes. Hoje a economia virtualmente se aproxima da psicologia.

Qual é o foco principal de Formação econômica do Brasil?

Ricardo Bielschowsky – A ênfase do livro é na questão do subdesenvolvimento, ele desenvolve algo como uma teoria do subdesenvolvimento na periferia latino-americana. O livro é a forma mais acabada de uma coisa que começou 10 anos antes. Furtado parte da tese de doutorado dele, de 1948. Aí ele teve contato com Prebisch, na Cepal, e lá interagiu com os fundadores da teoria estruturalista cepalina. Formação Econômica do Brasil é a aplicação para a história brasileira da visão estruturalista. A linguagem é muito fácil, bastante acessível. Essa era uma das suas características. Ele não era um acadêmico puro. Ele usava a formulação sobre a realidade como instrumento da luta política.

Quais são os pontos fundamentais da teoria estruturalista?

Ricardo Bielschowsky – O que Furtado, Prebisch e os cepalinos estavam tentando mostrar era que as estruturas produtivas socioeconômicas eram tais que, para conseguir crescer e se desenvolver, você precisava de um tipo de política econômica diferente daquela aplicada nos países centrais. Eles se dedicaram a analisar as realidades latino-americanas sob esse prisma. Essencialmente, tem dois elementos que são centrais, o primeiro é a ideia da heterogeneidade, a baixa diversificação da estrutura produtiva. A mensagem central é industrializar, mas naquelas condições não era fácil. Dava problemas de balanço de pagamentos, de inflação. O segundo ponto central, que vem da teoria do Prebisch e que Furtado vai absorver completamente, é a ideia da heterogeneidade tecnológica, no seguinte sentido: alguns segmentos – toda a cadeia exportadora – têm alta produtividade, e existe uma parcela muito grande da população que trabalha a baixos níveis de produtividade. Isso resulta em pouco excedente, pouca poupança para investir, e problemas para satisfazer a demanda rapidamente crescente no processo de industrialização, porque a capacidade de investir era baixa. O corolário disso tudo é o Estado. Como corolário é preciso planejar o processo de industrialização nessas condições. Formação Econômica do Brasil é a legitimação dessa abordagem para o caso brasileiro.

Como esse processo é descrito no livro?

Ricardo Bielschowsky – O resultado final do ciclo canavieiro, na análise de Furtado, são alguns bolsões de modernidade em meio a uma pobreza, uma economia de subsistência muito grande, e a baixa diversificação da estrutura produtiva. Essa é a herança histórica, que de certa maneira sobrevive até hoje. Depois, ele vai para ciclo do ouro e conclui mais ou menos a mesma coisa. Quando ele entra no ciclo do café, passa alguns capítulos se dedicando a por que não foi usada a mão-de-obra escrava. O resultado desse excedente de mão-de-obra não utilizado é mais uma vez essa dualidade – a modernidade do trabalho assalariado convivendo com uma economia de subsistência muito grande. A industrialização, que é o quarto ciclo, se dá nessas condições, de baixa produtividade média – o resultado da produtividade desigual dos dois setores da economia – e baixa diversificação da estrutura produtiva. Um elemento muito interessante, muito didático do livro é o contraste com a economia dos Estados Unidos, onde existe um mercado interno grande, a pequena propriedade, e onde vai sendo gerada uma industrialização incipiente, diversificando o aparelho produtivo. Ele faz esse contraste para mostrar que nós somos diferentes. A riqueza do livro é principalmente metodológica. – a capacidade de legitimar a abordagem estruturalista através da história brasileira, e com isso Furtado dá uma lição sobre a formação do nosso desenvolvimento. Em uma história que a todo tempo está mostrando que tipo de subdesenvolvimento foi criado.

Qual pode ser considerada a principal contribuição do livro para o pensamento econômico brasileiro?

Ricardo Bielschowsky – O truque dele, o instrumento que ele usa, é uma metodologia de aplicação à história do Brasil muito sólida, que ele inventou. Ele faz um ensaio. Há toda uma literatura que descreve pontualmente coisas que ele talvez não tenha acertado, mas ele construiu um movimento da história, ele obedeceu, com uma razoável fidelidade, a um movimento geral da história, de formação dessa estrutura, tendo como principal forma de alinhavar a historia a questão do subdesenvolvimento.

Mesmo considerando as mudança de enfoque da teoria econômica e a própria superação histórica da União Soviética e das economias planejadas, Formação Econômica do Brasil ainda é lido, é adotado nos cursos universitários, ainda é atual. Por quê?

Ricardo Bielschowsky – Será que nós ainda não temos elementos de subdesenvolvimento, quando a gente se compara com países desenvolvidos? Nós temos um desemprego e um subemprego enormes, em termos de proporção do conjunto da força de trabalho. Nós temos um sistema nacional de inovação, uma estrutura produtiva, que estão muito longe da fronteira tecnológica. Continuamos a ser subdesenvolvidos também por esse lado. Tanto pelo lado da questão do desemprego e da distribuição de renda, quanto pelo lado da capacidade de adicionar valor às exportações, de ser competitivo em nível internacional. Um terceiro elemento que faz parte do nosso subdesenvolvimento é que a nossa macroeconomia é muito dependente. Nossa capacidade de resistência aos ciclos internacionais continua menor que a dos países desenvolvidos. Há vários elementos que se mantêm, infelizmente, porque nossa distância relativa não diminuiu. Celso Furtado ainda tem um apelo entre aqueles que fazem uma leitura da nossa realidade tentando entendê-la como parte da periferia.

Renato Baumann – Não é uma análise centro-periferia. A análise que Furtado faz é sobre o que levou um país a deixar de ser periférico enquanto o outro se manteve na periferia. Nos anos 60, isso vai derivar na lógica centro-periferia, na chamada Teoria da Dependência. Mas há uma outra explicação – o apelo se mantém porque Formação Econômica do Brasil não é um livro de um historiador, não é factual. E nem tenta aplicar modelos matemáticos para explicar a história. Ele faz isso usando texto, numa redação bastante simples. Essa é, talvez, uma explicação adicional para o livro ter esse nicho diferenciado. (NT)

INTERPRETAÇÃO FUNDAMENTAL

NELSON TORREÃO

DA EQUIPE DO CORREIO

Já é hora de incluir um economista, Celso Monteiro Furtado, entre os “intérpretes do Brasil” – autores de obras seminais que ajudaram a “explicar” o país e resistem ao passar dos anos. A lista é variável, embora Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Hollanda e Caio Prado Júnior ocupem lugares cativos. Voltando no tempo é possível acrescentar a ela autores como Joaquim Nabuco, Euclides da Cunha e Manuel Bonfim. E seguindo adiante, Florestan Fernandes e Raymundo Faoro.

A obra que coloca Furtado nesse panteão das ciências sociais do país é Formação Econômica do Brasil, que chega à sua 34ª edição pela Companhia de Letras. Escrito na Inglaterra, quando Furtado dava aulas na Universidade de Cambridge, aproveita elementos da tese de doutorado defendida em 1948 na Universidade de Sorbonne, em Paris, e de um ensaio sobre economia brasileira contemporânea produzido um ano depois. Foi publicado pela primeira vez em 1959.

 Traduzido em nove línguas, entre elas romeno, chinês e japonês, Formação Econômica do Brasil transformou Celso Furtado num dos autores brasileiros da área de ciências sociais mais lidos e publicados – inclusive no exterior. Juntamente com o artigo do economista argentino Raul Prebisch (Desenvolvimento econômico da América Latina e seus principais problemas, de 1949), constitui a base da escola estruturalista, que se desenvolveria na Cepal – Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina e Caribe, criada em 1948. O estruturalismo teve grande influência na industrialização da região, baseada no modelo da substituição de importações, até o final da década de 70.

A originalidade de Formação Econômica do Brasil consiste na combinação da investigação histórica com a análise econômica. Mas não se trata de um livro escrito para economistas. Essa, talvez, seja outra razão para sua perenidade.