Futebol e Cinema: Manual tricolor da loucura

Que loucura você seria capaz de fazer por seu time? Esse bem que poderia ser o slogan do filme “Saudações Tricolores – Um século de Fluminense”, que vai trazer uma série de depoimentos de torcedores tricolores fanáticos, sejam ilustres ou anônimos.

O filme fará parte das comemorações do centenário do Fluminense, no ano que vem. Entre os entrevistados está um grupo de torcedores que, na falta de grana, percorreu a pé o trajeto entre a cidade de Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, até Buenos Aires, na Argentina, para ver uma partida do Fluminense pela Taça Libertadores de 1985.

“Serão histórias tristes, ou divertidas. Contaremos a trajetória do clune a partir desses depoimentos”, afirma o diretor André Barcinski.”

Outro episódio curioso, é o contado pelo jornalista Pedro Bial, da TV Globo. “O pai dele era tão louco pelo Fluminense que ao chegar ao estádio do Campo Grande e saber que os ingressos estavam esgotados resolveu comprar um título do clube. Só assim poderiam assistir à partida. Até hoje a família do Bial tem um título do Campo Grande por causa dessa partida”, diz Barcinski.

Escritor foi fiel por 12 anos seguidos

O escritor Ivan Sant’Anna, autor dos livros “Raprina” e “Caixa Preta”, conta episódios do período em que obcecado pelo Fluminense, foi a todos os jogos do clube durante doze anos seguidos, fosse no Brasil, na Europa ou na África.

Certa vez, quando assistia a uma partida no estádio das Laranjeiras, a energia acabou, interrompendo o jogo a 20 minutos do final. Sem saber quando a peleja seria reiniciada, Ivan Sant’Anna voltou para Belo Horizonte. Na manhã seguinte, porém, ao ler os jornais, soube  que a partida continuaria dali a poucas horas. Sem titubear, Ivan Sant’Anna pegou um voo correndo e chegou ao Rio para ver apenas os 20 minutos finais.

“Saudações tricolores” também terá depoimentos de ex-dirigentes e jogadores como a dupla de carrascos Assis e Washington. Artistas como Chico Buarque e Jô Soares devem participar. O produtor do filme, Heitor D’Alincourt, também tem suas histórias: como subir até o Cristo Redentor para agradecer pelo campeonato carioca de 1983 ou visitar o túmulo de Nelson Rodrigues (1912-1980) às vésperas da final do carioca de 1995 contra o Flamengo.

“Uma entrevista importante para o nosso filme será a do Carlos Alberto Parreira que, após ser tetracampeão do mundo, aceitou dirigir o Fluminense na Terceira Divisão. Isso demonstrou o amor que ele tem pelo clube”, diz Heitor, que também é músico e assina a trilha sonora do filme.

Além dessas entrevistas, o filme vai mostrar os gols mais importantes, de todos os títulos do Fluminense desde 1951, quando ganhou a Copa Rio – título que os tricolores reivindicam como um campeonato mundial interclubes – até o  carioca de 1995, decidido no fim de um emocionante Fla-Flu com o já lendário gol de barriga de Renato Gaúcho. “Tem muita coisa inédita ou que os torcedores não veem há mais de 30 anos”, afirma André Barcinski. Fazem parte dessas raridades de imagens do goleiro Castilho, treinando nas Laranjeiras na década de 20.

Filme:”Saudações tricolores – Um século de Fluminense”

Diretor: André Barcinski

Roteiristas: André Barcinski e Heitor D`Allincourt

Duração: 90 minutos

Depoimentos: Pedro Bial. Ivan Sant`Anna, Assis, Washington, Rivelino, Renato Gaúcho, Jô Soares, Arthur Moreira Lima

Orçamento: R$ 80 mil

Estágio: em produção

Previsão de estreia: 21 de julho de 2002 (centenário do clube)