Gatunos levam renda do Maracanã e taça de campeão do mundo

O futebol brasileiro ganhou na semana passada novos adeptos: os ladrões. Não se trata de certos dirigentes,nem mesmo de alguns árbitros notórios. Assaltantes de carteirinha, como aqueles quatro que passaram pela segurança do Maracanã, na quinta feira, subiram ao quinto andar, renderam o tesoureiro Eduardo Guarino e um funcionário e limparam do cofre Cr$ 2 bilhões que tinham ficado por lá, como cota do estádio, depois da finalíssima do campeonato carioca, disputada na véspera, entre Vasco e Fluminense. Felizmente para os clubes, seus tesoureiros tomaram a cautela de carregar a parte delas, aliás, a parte do leão dos Cr$ 11,3 bilhões da renda do jogo.
  O interesse pelo futebol por parte dos ladrões de São Paulo revelou um certo valor sentimental. Na noite de segunda-feira 14, quando funcionários do São Paulo preparavam o salão nobre para a festa de despedida de Raí, que vai para o Paris Saint-Germain, deram pela falta de ´´uma taça“´- segundo queixa apresentada ao 34º Distrito Policial, no Morumbi.
  Na verdade, é a Taça Internacional – e o São Paulo teria de devolvê-la, em dezembro, em Tóquio, caso perca a final do campeonato mundial interclubes para o Olympique de Marselha. A outra taça levantada por Raí em Tóquio, em dezembro de 1922, depois da vitória contra o Milan, a Toyota Cup, vale US$ 60 mil, é de propriedade do São Paulo e continua, a salvo, na sala dos troféus.