Jairo Anatólio Lima – grande locutor esportivo de Minas Gerais

Marcelo Rozenberg

Jairo Anatólio Lima foi um dos maiores locutores esportivos da história de Minas Gerais. Em sua carreira, revelam-se momentos históricos e inesquecíveis como a narração de partidas da Copa do Mundo de 1950, realizada no Brasil. Lima também descobriu grandes nomes do rádio esportivo brasileiro como Alberto Rodrigues e José Silvério, o pai do gol.

Teve a felicidade de narrar pela rádio inconfidência o gol de Dadá Maravilha que garantiu ao Galo a conquista do título brasileiro de 1971, marcado sobre o Botafogo carioca. Hoje ainda trabalha na Inconfidência onde apresenta um comentário diário às 11 horas da manhã.

Transcrevemos abaixo uma pequena entrevista concedida por Jairo e enviada a nós pelo internauta Elias Torrent, de Belo Horizonte.

– Quais foram os primeiros locutores esportivos de MG e BH?

– O primeiro, por acaso, foi meu tio, Emílio Curtes Lima. Mas tivemos outros naquela época como Paulo Nunes Vieira (Rádio Inconfidência), Álvaro Celso de Trindade (Rádio Guarani) e o paulista Amando Alberto (Rádio Mineira).

– Na Copa de 1950, você narrou apenas o primeiro tempo de algumas partidas. Quem narrou as etapas finais?

– Paulo Nunes Vieira.

– O senhor e o Luís Mendes (atualmente na rádio Globo do Rio de Janeiro) são os radialistas esportivos com mais tempo de atividade no Brasil. Qual o momento mais marcante na sua brilhante carreira?

– Evidentemente a estreia como locutor esportivo em 23/11/1947, em uma partida em que o Atlético Mineiro venceu o América por 2 x 0.

– Quando ocorreu sua primeira transmissão esportiva fora de BH?

– Foi em março de 1948, em uma partida em que o América Mineiro vendeu o Botafogo carioca por 2 x 1, no Rio de Janeiro. O América era o campeão mineiro e o Botafogo o campeão carioca. Por acaso, estreou o Nilton Santos, então com 23 anos de idade, no Botafogo. Houve um gol marcado por Petrônio, centroavante do América, de bicicleta, que revista “ O Cruzeiro”, em um flagrante espetacular, publicou no quadro “Um Fato em Foto”. O gol aconteceu em cima do goleiro Oswaldo, do Botafogo.

– Você já foi convidado para trabalhar fora de MG?

– Sim. Antônio Cordeiro, locutor da rádio Nacional (RJ), me convidou mas não fui. Primeiro porque ainda não havia me casado, nem servido o exército. Depois, por ter receio de deixar BH. Sou mineiro, acostumado a levar uma vida pacata, tranquila. Costumo dizer que nasci no bairro do Carlos Prates e me formei pela Universidade de Lagoinha.

– Fale um pouco sobre “ A Hora do Fazendeiro”, programa criado por seu pai e até hoje no ar pela rádio Inconfidência.

-O programa foi uma ideia do então secretário da Agricultura, Israel Pinheiro. Ele chamou papai, que era agrônomo e chefe do departamento na secretaria de Viação e Obras públicas de MG, para lançar um programa dedicado ao homem do campo. Estreou em 07/09/1936 e está até hoje no ar. Foi considerado à época um programa de utilidade pública e é, segundo levantamento de Jader de Oliveira da BBC de Londres, um dos programas mais antigos do rádio mundial.

– Por qual emissora você narrou o gol do título do Galo campeão nacional de 1971?

– Pela rádio Inconfidência, com comentários de Sérgio Ferrara e reportagens de Alair Rodrigues, o repórter da bola.

– De todas as Copas que você cobriu, qual ou quais lhe marcaram mais?

– Foram três. A primeira, em 1950, quando tinha apenas dois anos como locutor esportivo, foi muito emocionante, A de 1958 marcou por ter visto nosso primeiro título mundial. Por fim, a de 1986, minha Copa. Encerrei minha carr4eira em copas do mundo em grande estilo, narrando a decisão em que a Argentina bateu a Alemanha por 3 a 2.

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