Juiz de Fora: uma grande cidade sem estádio

Vários planos foram feitos. Só que ninguém sabia que, há 21 anos, um projeto
Estádio. No dicionário significa local para prática de esportes, principalmente o futebol. Mas para o torcedor de Juiz de Fora já virou sinônimo de decepção, esperança, sonho, salvação e, até, ´´trambique“. Não foram poucas as vezes que se sonhou em ver a segunda cidade do Estado com um estádio em condições de dar conforto aos torcedores e jogadores, por consequência, rendas maiores e bons times. Hoje mesmo existem três planos: um, do Tupinambás, que já começou as obras para um campo para 40 mil espectadores; outro, do reitor e do prefeito, que acreditam na possibilidade de ampliação do Centro Olímpico da UFJF e, finalmente, o do Tupi, que tem local, mas falta verba.

  Com um pouco mais de boa vontade pode ser incluído também o plano do Sport que, com nova direção pode ser que amplie seu estádio, hoje o maior da cidade e que já teve mais de 17 mil pessoas em um jogo, segundo provam os dirigentes do clube. Mas o que pouca gente sabe, ou quase ninguém sabe, é  que um projeto do então deputado José de Castro Ferreira, de 1964, chegou a passar por todas as comissões e foi aprovado pela Assembléia Legislativa. Só que o então Governador de Minas, Magalhães Pinto, vetou o projeto. Até hoje o o projeto esteve no esquecimento. Mas seu próprio autor pretende reativar tudo agora e dar a Juiz de Fora o estádio sonhado e merecido já há muito tempo.
  O projeto, já em 1964, previa para Juiz de Fora um estádio de 80 mil lugares, onde o objetivo seria atender a toda região, que sempre reivindicava um estádio, principalmente porque havia sido feita uma promessa a toda população de que, tão fosse construído o Mineirão, Juiz de Fora seria a próxima cidade a ter um grande estádio. Hoje, Uberlândia já tem o seu, Uberaba também e até o Estádio Mammud Abbas, de Governador Valadares, pode ser incluído como um bom estádio:
  – Até hoje pouca gente sabia deste projeto. E olha que ele por pouco não passou na época. Em todas as comissões que passou pela Assembléia Legislativa foi aprovado. E só não teve a aprovação do Governador Magalhães Pinto, que já havia assumido um compromisso pessoal comigo de apoiar a iniciativa, porque na época eu estava preso. Cumpria minha segunda prisão política no ano. O projeto passou nas comissões e quando chegou na mão do Governador não teve quem fosse defendê-lo, lamenta José de Castro Ferreira.
  Depois disto surgiram algumas iniciativas, mas nenhuma que tivesse o apoio assegurado do Governo Estadual, que arcaria com as despesas. Agora, 21 anos depois, José de Castro pretende levar a ideia a frente, convocando a participação de todos, principalmente da classe política, onde Juiz de fora tem muitos representantes , mas nem sempre recebe o apoio na lutas que tem para seu crescimento.
  – Temos que levar o assunto a discussão e a todos os políticos, partindo depois para o Governador, que tenho certeza que entenderá a reivindicação da cidade. O projeto por mim apresentado passou por todas as comissões da Assembléia e , por isto, entendo que o Estado tenha uma dívida neste sentido com Juiz de Fora. Uma dívida oral. Há a possibilidade de que o ´´ pacote dos deputados“ seja examinado pelo Governo Federal e seja revogado a lei que impede aos deputados mandar este tipo de projeto. Mas até o próprio Governo Estadual pode sugerir o projeto. O importante é que Juiz de Fora precisa deste estádio.
  José Castro Ferreira lembra, inclusive, que, além da situação geográfica excepcional que Juiz de Fora tem em relação a outras grandes cidades do Estado, precisa desta força para que o futebol cresça. Ele não deixa de louvar os esforços de Tupi, Tupinambás e Sport, mas acha que todos serão em vão enquanto não se tiver um grande estádio.
  – E não adianta pensar em construir um estádio para 30 mil ou 40 mil pessoas. Isto seria apenas paliativo. Pela zona de influência de Juiz de Fora, cercada de outras cidades, os cálculos comprovam que o ideal é um campo para cerca de 80 mil pagantes. Não importa que em alguns jogos ele vá ficar sem grande público. Mas quando se for fazer grandes promoções, ou em grandes jogos de campeonato, sempre se terá conforto para o público. Porque, na verdade, se hoje o público não é maior é, em parte, em função da falta de conforto nos campos de Juiz de Fora.
  O ex-deputado lembra, inclusive, o impulso que Belo Horizonte ganhou com construção do Mineirão. ´´ O que era o futebol de lá antes do Mineirão? Nada. Depois do Mineirão teve grandes fases, inclusive uma com o Cruzeiro, que montou um dos melhores times que o Brasil já viu. Hoje, se houve uma queda, a culpa é mais de quem dirige“.
  José de Castro acha que, sendo enviado o projeto novamente, a Assembléia Legislativa vai aprova-lo. E o argumento principal é mostrar que outras cidades de menor índice populacional já possuem seu campo e apenas Juiz de Fora a segunda do Estudo, não mereceu este apoio.