‘Mário Helênio, 25 anos’: clássico local e Fla abrem estádio de Juiz de Fora

A data é marcante para o esporte de Juiz de Fora. No dia 30 de outubro de 1988, era inaugurado o maior palco do futebol da cidade: o estádio municipal Radialista Mário Helênio, que nesta quarta-feira completa 25 anos. No nome, a homenagem a uma grande figura do radiojornalismo esportivo, que durante seis décadas respirou o esporte e exerceu, com categoria, a profissão.

– Sem dúvida alguma o nome faz jus à grandeza do estádio e à tradição do futebol em Juiz de Fora. Mário Helênio, além de espetacular radialista, foi um dos maiores incentivadores do esporte em nossa cidade. Aqui, ele era torcedor do Tupynambás, mas também era flamenguista, tinha o coração rubro-negro – contou Geraldo Magela Tavares, amigo de Mário Helênio e nome também marcado na história futebol de Juiz de Fora.

Clássico da cidade não podia faltar

E para marcar a inauguração do tão sonhado estádio municipal, nada melhor do que um clássico. Naquela tarde de domingo, 30 de outubro, Tupi-MG e Sport Club entraram em campo para protagonizarem o primeiro jogo sediado no Mário Helênio. Geraldo Magela Tavares, hoje vice-presidente do alvinegro de Santa Terezinha, na ocasião estava do outro lado, como técnico.

Geraldo Magela: “Cidade precisava do estádio”

Ele lembra que, apesar dos 35 mil ingressos colocados à venda terem sido esgotados na véspera da partida, a impressão que dava era de que o público presente foi muito maior. As milhares de pessoas que lá estiveram viram o Sport aplicar 2 a 0 sobre o rival, com gols de Ronaldo e Mamão. Para Geraldo Magela, uma data marcante.

– A cidade precisava de um palco maior para o futebol. A festa foi linda, com o estádio todo tomado, até os barrancos nas redondezas. Foi uma felicidade muito grande fazer parte de tudo isso. Tenho o nome ligado ao Tupi, mas nunca me furtei de contribuir para o esporte de forma geral. E naquela ocasião, saí vitorioso como técnico do Sport – disse.

No comando técnico do Tupi, o ex-ponta direita Moacyr Toledo. Ele fez parte do escrete conhecido como “Fantasma do Mineirão”, título que faz alusão às vitórias seguidas do Galo Carijó sobre Cruzeiro, Atlético-MG e América-MG, na capital mineira.

Toledo, ao lado da placa que leva o nome do Rei, no hall do estádio; acima, a foto dele com Pelé

Toledo ressaltou que, naquele jogo, o Tupi foi a campo com jogadores reservas e da equipe júnior, pois no mesmo dia o time principal foi a Cabo Frio enfrentar a Cabofriense, pela terceira divisão nacional.

– Eu cuidava dos garotos da base do clube e fui escolhido para ficar à frente do time que disputou a partida de inauguração do estádio. A prioridade do Tupi foi pelo jogo em Cabo Frio, por se tratar de uma partida oficial. De qualquer forma fico honrado de ter participado da inauguração do estádio, pelo qual tenho carinho muito grande – afirmou.

E a relação de Toledo com o Mário Helênio é mesmo íntima. Há 12 anos, ele é um dos administradores do estádio e conhece, como poucos, todos os detalhes do palco. Para ele, o estádio municipal representa a manutenção do futebol profissional em Juiz de Fora.

Hoje um dos administradores do estádio, Toledo comemora presença do neto Rafael no elenco do Tupi

– A construção desse estádio foi de extrema importância para o futebol da cidade, além de ter colocado Juiz de Fora no circuito dos grandes jogos. É uma pena não recebermos hoje confrontos entre os clubes daqui. Mas o estádio acabou se tornando a casa do Tupi, que representa muito bem a cidade no cenário nacional – concluiu.

Presença ilustre

Milagres: “Uma honra ter participado da festa”

Como atrações da inauguração do estádio municipal Radialista Mário Helênio, Flamengo, do técnico Telê Santana, do craque Zico e dos atacantes Bebeto e Renato Gaúcho, e Argentinos Juniors (ARG) fizeram o jogo principal. Com dois gols de Bebeto, o Rubro-Negro venceu por 2 a 1.

Mas um dos homenageados da noite estava no banco de reservas do clube carioca.

O juiz-forano Marco Antônio Milagres, ou apenas Milagres, que por 10 anos foi o camisa 1 do América-MG e se tornou ídolo da torcida do Coelho, na época era reserva de Zé Carlos no Flamengo e estava em seu primeiro ano como profissional.

– Recebi uma placa da prefeitura da cidade. É uma recordação que trago comigo até hoje. Me senti muito honrado e muito feliz em ter feito parte de uma data histórica para minha cidade. Foi uma conquista importante para o futebol de Juiz de Fora e é motivo de orgulho termos um estádio como esse – destacou o ex-goleiro, que atualmente é técnico do time júnior do América-MG.

A série ‘Mário Helênio 25 anos’ continua nesta quarta-feira, e vai contar duas conquistas marcantes do Tupi-MG no século XXI.

Fonte: Revista Placar, Jornal dos Esportes, Jornal do Brasil, Jornal o globo, Tribuna de Minas e Arquivo Pessoal Márcio Guerra