Morre o ex-técnico do Flamengo Carlinhos


Carlinhos em uma de suas passagens pelo Flamengo – Fernando Maia / Agência O Globo

Um dos grandes técnicos da história do Flamengo, Carlinhos morreu nesta segunda-feira, aos 77 anos, vítima de insuficiência cardíaca. Ex-jogador do clube, ele foi o treinador na conquista de dois títulos brasileiros, em 1987 e 1992. O velório do ídolo rubro-negro será nesta terça-feira, no salão nobre da sede social do Flamengo, das 10h às 14h. Também na terça haverá a cerimônia de cremação no Memorial do Carmo, às 18h.

Conhecido pelo apelido de Violino, pela elegância e precisão que exibia em campo, Luiz Carlos Nunes da Silva defendeu o Flamengo entre 1958 e 1969. No período, participou das conquistas dos Campeonatos Cariocas de 1963 e 1965 e do Torneio Rio-São Paulo de 1961.

Volante de técnica refinada, Carlinhos foi um dos poucos a ganhar o Prêmio Belfort Duarte, dado aos atletas que passaram a carreira inteira sem ter sido expulso de campo.

Quando estreou, recebeu as chuteiras de Biguá. Ao se aposentar, em 1969, repetiu o gesto dando o seu par de chuteiras para um jovem garoto promissor da Gávea que viria a se tornar o maior ídolo da história do clube. Tratava-se de Zico.VIDA DEDICADA AO FLAMENGO

O Flamengo foi a vida de Carlinhos. A camisa do clube foi a única que defendeu na carreira, e depois que se aposentou foi um dos três times que o ex-volante treinou, num total de sete passagens pela Gávea. Os outros dois clubes que comandou, em curtas passagens, foram Guarani e Remo.

O Flamengo lamentou em nota oficial a morte de um dos seus maiores ídolos:

“Nesta segunda-feira (22.06), a torcida do Flamengo deu adeus a um de seus maiores ídolos. Vítima de insuficiência cardíaca, Luiz Carlos Nunes da Silva, o Carlinhos Violino, morreu aos 77 anos. Um dos grandes craques e treinadores do clube, Violino recebeu o apelido pela elegância e precisão em campo, quando jogava como volante, mas a alcunha também poderia se referir à música que conduzia os times que comandou como técnico”.

Carlinhos ao lado de Romário em sua passagem pelo Flamengo em 1999 – Fernando Maia / O Globo

Foi como técnico que Carlinhos atingiu as maiores glórias pelo clube rubro-negro. Sua primeira passagem no comando da equipe foi em 1983, quando assumiu o time substituindo Paulo César Carpegiani. Acabou fazendo parte da conquista do tricampeonato brasileiro daquele ano, já que assumiu o time como interino até a chegada de Carlos Alberto Torres.

Carlinhos era extremamente hábil e muito querido pelos jogadores do Flamengo. Foi nas suas passagens como técnico que o Violino também ficaria conhecido como bombeiro, pois sabia contornar as crises e dava ao time uma nova cara.

MUITOS TÍTULOS NO RUBRO-NEGRO

Com carisma e serenidade, Carlinhos conduziu um Flamengo que tinha veteranos da conquista da Libertadores de 1981 como Zico, Adílio e Leandro e jovens promessas como Bebeto, Jorginho e Leonardo ao tetracampeonato brasileiro em 1987.

Depois da conquista nacional, Carlinhos também comandaria o clube no bicampeonato da Taça Guanabara de 1988-1989. Em seguida, deixou o Flamengo.

Voltaria em 1991 para mais uma vitoriosa passagem de dois anos. Foi campeão carioca e da Supercopa dos Campeões daquele ano e, no ano seguinte, conduziu o Flamengo liderado pelo veterano Júnior em campo ao pentacampeonato brasileiro em dois jogos históricos contra o Botafogo, no Maracanã.

Carlinhos ainda teria mais três passagens pelo clube. Se em 1994, não conquistou títulos, em 1999 e 2000 ajudou o Flamengo a levar mais alguns troféus para a vasta galeria rubro-negra. Foi campeão carioca de 1999 e de 2000 e da Copa Mercosul de 1999.

Para muitos, o Violino foi o maior técnico da história do clube. No total, incluindo conquistas de turnos como Taça Guanabara e Taça Rio, ele conquistou 11 títulos pelo Flamengo.

Em fevereiro de 2011, o ex-jogador foi homenageado pelo clube com a inauguração da Praça Carlinhos, que fica ao lado do ginásio do clube, na Gávea. No local, também foi instalado um busto de bronze do Violino.

Fonte: Revista Placar, Jornal dos Esportes, Jornal do Brasil, Jornal o globo, Tribuna de Minas e Arquivo Pessoal Márcio Guerra