Müller comemora volta ao Maracanã: “É o lugar certo para levantar a taça”

Ao longo do último mês, os alemães desenvolveram um laço afetivo com o Brasil. Concentrados em Santa Cruz Cabrália, na Bahia, não foi difícil vê-los aproveitando as praias da região e se divertindo com os costumes do país. Nesta sexta-feira, eles se despedem da cidade e voltam para o Rio de Janeiro, onde terão um compromisso e tanto no Maracanã no domingo: disputar a final da Copa do Mundo contra a Argentina. Em entrevista coletiva ao lado do capitão Philipp Lahm pela manhã, o atacante alemão Thomas Müller falou da sua expectativa de voltar ao estádio, onde venceu a França nas quartas de final.

– Infelizmente não tivemos nenhuma visita guiada ao Rio, então é difícil conhecer a mágica da cidade. Mas existe mais uma razão pela qual eu gostaria de voltar, o próprio Maracanã tem sua história, mesmo se mudou sua arquitetura, quando você olha a história dos anos 50, 60, mesmo assim é um estádio sagrado para qualquer pessoa que trabalha com o futebol. Vejo o Maracanã como o lugar certo para levantar a taça.

Müller esteve no centro das atenções em coletiva da Alemanha nesta sexta-feira

A goleada por 7 a 1 sobre o Brasil também entrou em pauta durante a entrevista coletiva. Questionado se a Alemanha teria tirado o pé para evitar humilhar, Müller garantiu que não houve nada combinado.

– Acredito que querem dizer que, com placar de 5 a 0, tínhamos uma situação especial e não teríamos que nos tornar confiantes em excesso. Não é que teríamos que evitar essa humilhação, nós queríamos apenas jogar um futebol decente, sério e não tentar então brigar com estrelas e realmente ter dribles importantes. Não houve nada entre treinador e jogadores.

Philip Lahm vê realidades distintas entre 2006, 2010 e 2014

Passado o jogo contra o Brasil, é hora de pensar na Argentina, eliminada pela Alemanha nas duas últimas Copas. Em 2010 na África do Sul, então, a vitória foi com uma goleada por 4 a 0 nas quartas de final. O capitão Philipp Lahm só não acha que sua seleção terá tanta facilidade desta vez.

– Eu acho que outros jogadores estão envolvidos. Quando olho para 2006, vejo que havia uma dificuldade, mas não vejo que teremos a mesma atmosfera de 4 anos atrás. Não tem importância. A única coisa em que pensaremos é nesta final. Espero que a Alemanha construa suas jogadas, vamos ter que usar o meio-campo. Tentaremos utilizar também nossos pontas e, se isso não ajudar, vamos usar a bola parada.

Thomas Müller é o artilheiro da Alemanha na Copa do Mundo, com cinco gols, e é um dos grandes nomes da competição. Mesmo assim, o atacante alemão garantiu que, se precisar voltar para marcar Messi, não verá problemas.

– Futebol realmente envolve muita corrida. É o DNA. Contra qualquer adversário, especialmente a Argentina, temos que correr bastante. Eficiência dessa corrida, algumas vezes é chamada para atuar. Então você tem que sair atrás do adversário. Eu tenho que ajudar os meus colegas trazendo de volta a bola. E, se realmente tiver que acompanhar Messi, vou ter que correr porque ele não é dos mais lentos, não é verdade? Realmente tenho que correr muitos quilômetros, esse é um dos ingredientes mais importantes.

Thomas Müller brinca com fato de o Papa ser argentino: “Forças celestes são difíceis de você contrapor”

Veja o que mais falaram os dois jogadores:

Müller brinca com fato de o Papa ser argentino

As forças celestes são difíceis de você contrapor, mas vamos dar tudo que temos a oferecer. Temos um jogo bastante difícil, como contra Argélia e França. Será um jogo de placar apertado.

Müller, e o churrasco de comemoração

Vamos dar tudo de nós. Potência, valores mentais… Quando ligo para casa, eu sempre digo que a razão para nós trabalharmos tanto é para que eles tenham muito churrasco para comemorar.

Müller tenta recordar se já perdeu para Messi

Müller, sobre estar na final

Se você colocar as coisas em perspectiva, esse é o estágio mais importante para um jogador de futebol. A Copa só acontece de 4 em 4 anos. A felicidade de aqui é indescritível.

Müller, sobre a Argentina

Espero que possamos trocar passes. Teremos que virar a bola com mais frequência, agir rapidamente, com poucos contatos, e tentar utilizar nossos pontas. Se isso não funcionar, vamos apostar em escanteios ou faltas.

Müller, sobre Messi

Já encontrei o Messi várias vezes. É uma pessoa bem legal. Não lembro de ter perdido para ele, perdi? (depois de pensar) Ah, perdi em alguns amistosos. Teremos que evitar que ele tenha contato com a bola. Precisamos ser uma unidade compacta, sabemos o perigo que ele representa, mas teremos que nos proteger de toda a equipe argentina, não só do Messi.

Müller, sobre Neymar

Fico muito triste pelo Neymar porque é um craque. Talvez a falta, como aconteceu, não tenha sido justa, mas lesões fazem parte do nosso trabalho. Ninguém merece perder uma semifinal por essa razão

Lahm, sobre Löw:

Qualquer pessoa muda em um período de 10 anos. Não é a minha tarefa descrever como o Löw evoluiu. Ele tem uma filosofia clara e endereça as questões desde o início.

Lahm, sobre a atual geração:

Chegar até as semifinais não pode ser chamado de decepção. Tivemos uma geração de jogadores que estão muito bem e uma geração que se desenvolveu com o tempo. Temos muitos jogadores com experiência em seus clubes, não só saindo do banco de reservas. São pilares de sustentação. É uma mistura perfeita de jogadores. Não temos como fazer previsão, mas está acontecendo.

Lahm, sobre experiência:

Nós já ganhamos muitos títulos com nossos clubes e temos experiências em finais. Isso é crucial, 90% dos nossos jogadores já estiveram em uma grande final.

Capitão Philip Lahm também esteve presente na entrevista coletiva