Texto do Diário Mercantil de 1978 sobre Mário Helênio

Mário Helênio tem muito mais tempo de imprensa do que de rádio e nem todos sabem que ele, com 10 anos de idade, já escrevia  no “O Pharol” e no “Jornal do Comércio”, jornais dirigidos por seu pai, o saudoso deputado Jarbas de Lery Santos. Na mesma época, a convite de Fábio Nery, chefe da seção de esportes do Diário Mercantil,  Mário Helênio passou a colaborar quase diariamente no jornal, ficando responsável pelo noticiário das atividades dos esportes especializados, naquele tempo limitada a duas ou três modalidades, uma das quais – o ciclismo – levou o juizforano Hermógenes Neto às Olimpíadas de Berlim. Em 1940, já mais ligado ao basquete, Mário Helênio fez sua primeira cobertura esportiva de importância, indo a Belo Horizonte com a Seleção de Juiz de fora que disputou o Campeonato Mineiro. Muito garoto ainda (15 anos), Mário Helênio foi entregue a responsabilidade do tenente Elói de Oliveira Menezes, hoje general do exército, ex-presidente do Conselho Nacional de Desportos e um dos maiores nomes do hipismo brasileiro. Na mesma ocasião, foi registrado como repórter esportivo do Diário Mercantil, tendo assim trinta e cinco anos de carteira assinada como funcionário dessa casa.

Quando o Diário da Tarde apareceu na imprensa juizforana, passou ele a trabalhar sobre a chefia de Arides Braga, integrando o quadro de primeiros redatores deste vespertino. No rádio, Mário Helênio está desde 1948, quando José Céu Azul Soares, o levou para a Rádio Tiradentes, de São João Nepomuceno, que tinha estúdio montado em Juiz de Fora e transmitia os jogos de futebol do nosso campeonato.

Sua estréia como comentarista esportivo foi no jogo que a Seleção de Juiz de Fora disputou com o Southampton, da Inglaterra, no estádio do Sport. No ano seguinte, apresentado a Paulo de Oliveira, por Rubens Cleto Moreira, Mário Helênio chamou Maurício de Campos Bastos e Mauro Lucci para a equipe de esportes da Rádio Industrial e os três, logo de cara- nos primeiros momentos da emissora – transmitiram uma batalha de confete, num sábado á noite, na rua Marechal Deodoro e no dia seguinte, pela manhã, irradiaram uma corrida automobilística e, à tarde, um jogo de futebol.

Daí para frente, Mário Helênio fez de tudo no rádio. Citando-se entre suas maiores reportagens a transmissão do incêndio que destruiu o Clube Juiz de Fora (ele havia estado duas horas antes irradiando o baile de carnaval da entidade) e o juri do tenente Bandeira, o famoso crime do Sacopã, no Rio, que durou quatro dias, formando a equipe com Wilson de Andrade e Walmick Campos.

Com Maurício e Mauro, Mário Helênio, além de irradiar batalhas de confete, carnaval (desfile, ruas e clubes), banquetes, eleições, paradas esportivas, militares e estudantis, bailes, festas juninas, semanas santa etc. Acompanhou o Mundial de 1950, transmitindo todos os jogos da Seleção Brasileira no Maracanã e Pacaembu, cobrindo vários outros jogos, inclusive o da famosa zebra em BH – vitória dos Estados Unidos sobre a Inglaterra.

Ainda na Rádio Industrial, Mário Helênio, além de programas musicais, que comandava em plena madrugada, tinha um programa verdadeiramente líder de audiência na cidade, na época do carnaval – Serpentinas Coloridas, que chegou até mesmo a ser televisionado nas primeiras e sensacionais experiências de Olavo Bastos Freire. Levando serpentinas coloridas para os programas de auditório, Mário Helênio se deu ao luxo de comandar shows com os mais famosos cantores daquela ocasião, como Emilinha Borba, Risadinha, Blecaute, Marlene e Gilberto Alves, entre outros.

Em 1957, com a Rádio Sociedade, passou a pertencer aos Diários Associados, Mário Helênio se desligou da Industrial e passou a chefiar o departamento de esportes da mais antiga emissora do Estado, cargo que ocupa até hoje.

Como homem dos sete instrumentos, Mário Helênio já fez de tudo na B3 e lamenta não ter guardado as gravações das várias entrevistas que fez com governadores, ministros e outras altas autoridades. Por sinal, em 1936, integrando uma caravana de jornalistas de Juiz de Fora num congresso nacional da classe, Mário Helênio tirou uma fotografia publicada no O Globo, ao lado do Presidente Getúlio Vargas, com a legenda do clichê dizendo textualmente: “está no Rio e conversou com o presidente Vargas, no Catete, o mais jovem jornalista do Brasil”.

Em 1958, quando o Brasil conquistou seu primeiro título mundial na Suécia, Mário Helênio bateu um recorde, pois conseguindo a B3 instalar estrategicamente sua aparelhagem de som que dava acesso ao palanque, ele ouviu um por um todos os craques brasileiros como Pelé, Mazola, Nilton Santos, Gilmar, Garrincha, Zagalo, Vicente Feola, em suma, todos os heróis daquela grande jornada.

Participou de todas as grandes reportagens esportivas da B3, com destaque para a cobertura comanda por Rubens Furtado, do Campeonato Brasileiro de 1960, quando Juiz de Fora representou Minas Gerais e a B3 falou de Florianópolis,Recife, Rio e São Paulo. Também todos os jogos da festa de inauguração do Estádio Magalhães Pinto, o Mineirão, tiveram a cobertura da B3. No setor de radiojornalismo, comandado por Wilson Cid, Mário Helênio, sempre que chamado a colaborar, o faz com sua reconhecida experiência e versatilidade.