Torcedores presos em briga no DF têm passagens pela polícia, diz delegado

Todos os três torcedores do São Paulo e o do Flamengo envolvidos em uma briga em frente ao Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília, na tarde deste domingo (18), têm passagens pela polícia por crimes como tráfico de drogas, roubo e homicídio. Segundo o delegado Marco Antônio Almeida, o torcedor do Flamengo cumpre prisão domiciliar por roubo e responde a processo por homicídio.

Na briga, que ocorreu antes do início do jogo pelo Campeonato Brasileiro, o torcedor do Flamengo teve a mandíbula quebrada. Ele foi agredido por um grupo de torcedores do São Paulo próximo a policiais militares, que assistiram às agressões sem intervir.

Almeida disse que os três torcedores do São Paulo, que estão presos, integram a Torcida Independente. Um dos suspeitos tem passagem pela polícia por tráfico, roubo e homicídio, outro por embriaguez ao volante e desobediência e o terceiro por roubo.

O torcedor do Flamengo, André Elington Ferreira, de 38 anos, também tem passagem pela polícia por homicídio, tentativa de estelionato e cumpre prisão domiciliar por roubo. Segundo familiares, ele faz parte da torcida organizada Raça do Flamengo.

A chefia de equipe do Hospital de Base de Brasília informou nesta manhã que Ferreira tem estado estável e aguarda cirurgia no maxilar.

Os três torcedores do São Paulo foram presos em flagrante por lesão corporal grave e passaram a madrugada na delegacia. Os três foram levados para o Departamento de Polícia Especializado (DPE) nesta segunda e o inquérito vai ser encaminhado à Justiça.

Os três ficarão presos sem direito a fiança. Eles só serão liberados se a Justiça acatar um eventual pedido de liberdade.

Ação da PM
As imagens gravadas pela TV Globo mostram policiais próximos à briga enquanto o torcedor, no chão, é agredido. Pelo menos sete policiais estavam próximos da confusão.

Pela manhã, o chefe do Estado Maior da PM, coronel Adilson Evangelista, explicou que um dos policiais vistos próximo à vítima chegou a sacar a arma, mas avaliou não ser o melhor momento de agir e se ausentou para buscar reforço.

Torcedor do Flamengo é espancado em briga em Brasília/GNews

“A gente verifica que o policial deu um retardo na ação, isto é fato pelas imagens. Porém toda ação do policial é avaliada para verificar que comportamento deveria ter naquele momento”, disse Evangelista.

O coronel afirmou que não houve erro na ação dos policiais. “Não houve falha. Na verdade, o que houve ali, a ação policial esperou para que pudesse agir conforme deveria agir, não usar armamento letal num momento em que não deveria”, disse. “É o timing que teve para acionar e agir de forma pronta.”

Os torcedores envolvidos na confusão foram dispersos com a ajuda da cavalaria; 13 pessoas foram encaminhadas à 5ª Delegacia de Polícia. Segundo o coronel Evangelista, o policiamento no local contava com o mesmo efetivo dos últimos nove jogos realizados no estádio, com homens dentro e fora da arena.

Início da briga
Segundo o delegado Marco Antônio Almeida, antes do jogo, por volta de 15h20, torcedores do Flamengo atiraram pedras contra dois ônibus que transportavam a torcida Independente ao estádio.

Os policiais que estavam na escolta da torcida do São Paulo disseram que o comboio fazia o retorno no Eixo Monumental, perto da entrada do estádio, quando torcedores do Flamengo começaram a atirar pedras contra os ônibus.

Um grupo de são-paulinos chegou a descer dos ônibus e perseguir os flamenguistas. Os dois grupos teriam se dirigido ao estádio enquanto a escolta seguia com os torcedores do São Paulo que ficaram nos ônibus até a entrada do Mané Garrincha.

O confronto aconteceu na parte de dentro da grade em volta do estádio. Simpatizantes dos dois clubes se provocavam antes do conflito. Um grupo de são-paulinos, que estava do lado de fora da grade, invadiu o espaço e começou a agredir alguns flamenguistas. Muitos torcedores correram.

De acordo com a polícia, os torcedores que desceram dos ônibus são os mesmos que alcançaram os flamenguistas e partiram para agressão. Os torcedores só deixaram a área interna da grade após a chegada de homens da cavalaria da corporação.

Funcionários do estádio que presenciaram a confusão reconheceram na delegacia os três homens suspeitos de participar da agressão ao torcedor do Flamengo.

Fonte: Revista Placar, Jornal dos Esportes, Jornal do Brasil, Jornal o globo, Tribuna de Minas e Arquivo Pessoal Márcio Guerra