Três conquistas de ouro para o “país do futebol” – Copas do Mundo de 58, 62 e 70

De certo modo, o Brasil sempre foi o “país do futebol”, pelo que o esporte representa em sua sociedade, por ser nele que se afirma sua identidade e, claro, pela excelência de seus craques. Mas só depois dos triunfos em 1958, 1962 e 1970, tal condição passou a ser reconhecida em toda parte. Este segundo número da série que o Globo e o Extra publicaram às sextas-feiras deste mês contando a história da participação brasileira nas Copas do Mundo, cobre esse rico período. Parte do momento em que nosso futebol superou os fracassos de 1950 e 1954 para brilhar na Suécia: segue com a consagração de Garrincha no bicampeonato no Chile; e termina com o terceiro título que nos valeu a conquista definitiva da Jules Rimet. Antes deste capítulo, porém, há um terceiro, fundamental para mostrar que certas vitórias só se constroem a partir de derrotas. Em 1966, movida por um otimismo injustificável, a seleção de Vicente Feola foi à Inglaterra técnica e fisicamente despreparada.

Sem a humildade que mesmo os campeões não podem perder, fracassou em Liverpool diante de Hungria e Portugal. Uma lição valiosa. Primeiro, de que todo adversário deve ser respeitado, inclusive os portugueses em quem se fazia tão pouca fé. Segundo, de que Copa do Mundo só se ganha com trabalho sério. Quatro anos depois, nova seleção brasileira, mais preparada que todas as outras, venceu. Voltou a entrar em campo, no México, o verdadeiro “país do futebol”.

Galeria

Lendários e eternos capitães…

Suécia, 1958

BELLINI E SEU GESTO IMORTAL

O zagueiro Hideraldo Bellini, jogador do Vasco, destacava-se mais pela seriedade do que propriamente pela categoria. E estava no auge quando, em 1958, o Brasil ergueu a Jules Rimet pela primeira vez. Seu gesto, exibindo o troféu para que fotógrafos registrassem e dessem difusão ao fato, foi simbolicamente eternizado. Hoje, é repetido por capitães mundo afora como último ato de uma conquista. Foi reserva no bi em 62 e jogou o Mundial de 66. Morreu em 20 de março, último, aos 83 anos.

CHILE, 1962

MAURO, O ELEGANTE

Mauro Ramos, então zagueiro do Santos, exibia técnica refinada e estilo clássico, dentro e fora de campo, virtudes que o credenciavam como um dos mais elegantes da posição. Foi o reserva de Bellini em 1958, mas no Mundial seguinte, no Chile, em 62, inverteu a condição, tinha 32 anos quando levantou a taça Jules rimet no bicampeonato. Morreu em 2002, aos 72 anos.

INGLATERRA, 1966

BOBBY MOORE, O “MITO”

Nascido Roobert Frederick Chelsea Moore em abril de 1941, o zagueiro do West Ham é o maior mito do futebol inglês e um dos maiores do mundo. É o único capitão do English Team a erguer uma Copa para o país. Jogou o mundial de 62 com 21 anos, venceu o de 66 com 25 e foi eleito por Pelé, em 70, um de seus mais implacáveis marcadores. Morreu em 93, aos 51 anos.

MÉXICO, 1970

CARLOS ALBERTO, O “CAPITÃO DO TRI”

Para muitos, o carioca Carlos Alberto Torres está entre os melhores laterais-direitos do mundo. Mas ao coroar a sua ótima participação na Copa de 70 com o último gol nos 4 a 1 da final contra a Itália, o magistral jogador talvez tenha sido o primeiro a incorporar a patente a seu nome. Jogava no Santos quando o Brasil sacramentou a posse da Jules Rimet.

 

Fonte: Revista Placar, Jornal dos Esportes, Jornal do Brasil, Jornal o globo, Tribuna de Minas e Arquivo Pessoal Márcio Guerra