2ª fase: Semi-Final Copa das Confederações 2014 – Brasil 2×1 Uruguai

Beijinho, beijinho, tchau, tchau! Quando era baixinho, Neymar deve ter
curtido o bordão de Xuxa. Agora, criança grande, moleque arteiro, não o
esqueceu. Beijinho pra você, Alvaro González! E tchau pra vocês, Uruguai!
Foram duas cobranças de escanteio nos minutos finais. Na primeira, o beijo
serviu como resposta à provocação do uruguaio. Na segunda, o passe perfeito
para o craque Paulinho serviu para aliviar o peito de milhões de
brasileiros: vitória por 2 a 1 sobre a Celeste no Mineirão, na semifinal da
Copa das Confederações.

O Brasil está na decisão. Superou a velocidade asiática do Japão, a
resistência latina do México, a disciplina tática europeia da Itália, e
agora passou por um Uruguai que tem tudo isso e mais um pouco. Tem raça,
história, respeito, Cavani, Suárez, Lugano… Mas o Brasil foi mais. Talvez
tenha sido menos time, mas foi maior nos braços de Julio César, mais
decisivo no lançamento e na cabeçada de Paulinho, mais oportunista na
inteligência de Fred, mais genial em Neymar.
Mais coração! Quem achou que seria fácil bater o Uruguai se enganou. Muito
mais do que a pressão colocada por Lugano no árbitro Enrique Osses, a
Celeste jogou no seu limite. Merece aplausos. Os últimos minutos, com
goleiro Muslera na área, tensão nas 57.483 pessoas que foram ao Mineirão,
provaram que este duelo é, sim, um dos maiores clássicos do planeta.

Herói da partida, Paulinho comemora seu gol, decisivo para a vitória
brasileira

Mas o Brasil está na final. Que nos perdoem os jogadores que terão pela
frente craques como Iniesta, Xavi e companhia, mas o mundo clama por um
duelo contra a Espanha. A Seleção jogará a final no próximo domingo, às
19h, no Maracanã, contra o vencedor do duelo entre La Roja e a Itália, que
se enfrentam na quinta-feira em Fortaleza. O Uruguai vai a Salvador tentar
o terceiro lugar diante de quem perder o clássico europeu.
Entretanto, se o Mineirão lotado comemorou a vitória sobre o Uruguai, do
lado de fora do estádio milhares de pessoas fizeram mais um dia de
protestos pelas principais vias de Belo Horizonte. Com as ruas no entorno
do Mineirão fechadas, manifestantes entraram em confronto com a Polícia
Militar de Minas Gerais. A cobertura completa você acompanha no G1.
Verde, amarelo e vermelho
Poucas cores são tão tradicionais no futebol mundial quanto a amarelinha
do Brasil e a Celeste uruguaia. Mas quis o destino que o vermelho brilhasse
no primeiro tempo. A cor da roupa, do coração e do sangue que corre nas
veias de Julio César, inflamado desde que a torcida mais uma vez assumiu
para si o hino nacional. Enquanto o Mineirão cantava, ele balançava os
companheiros. Era quase um aviso: “Hoje é comigo!”
Quando David Luiz puxou Lugano dentro da área e o árbitro chileno Enrique
Osses deu pênalti, aos 12 minutos, o estádio silenciou. Coube ao goleiro,
que tanto gosta do barulho dos torcedores, levá-los ao delírio ao defender
no canto esquerdo. Julio deu seus passinhos à frente, saiu antes. Forlán
foi mal. Olhou só para a bola. Se levantasse a cabeça, tocaria no outro
canto e faria o gol.

De canela, Fred completa para o gol e abre o placar para o Brasil
O Brasil levou mais de 20 minutos para chegar à área celeste. E quando
conseguiu pouco fez. O Uruguai ficou menos com a bola, mas foi mais
perigoso, como no belo chute de Forlán que passou ao lado do gol. O “1” e o
“9” estavam fora do jogo. Julio orientava e pedia concentração. Fred se
esforçava para compor a marcação e rezava por uma bolinha. Uma só…
E bastou que ela passasse pelos pés de quem a trata melhor para chegar ao
centroavante. O lançamento de Paulinho, o domínio e o chute de Neymar
entortaram a firme marcação dos bicampeões mundiais. Muslera defendeu a
primeira tentativa, mas ela sobrou para Fred. Quietinho, mineirinho, no
lugar certo como sempre. Certeiro como sempre: 1 a 0.
Como todo bom Brasil x Uruguai, o primeiro tempo teve um chute de Luiz
Gustavo no estômago de Rodríguez, a camisa esgarçada de Lugano e o nariz de
Paulinho sangrando. O segundo tempo prometia.

Neymar manda beijo para González antes de
cobrar escanteio

O beijo, o passe e o gol
Prometia mesmo! Quem resolveu comer o famoso tropeiro no intervalo pode
ter perdido o gol de Cavani. Até então, ele brilhara mais na marcação do
que no ataque. Mas, aos dois minutos da etapa final, ele não perdoou o
vacilo coletivo da defesa, em que David Luiz errou o chutão, Thiago Silva
tentou sair jogando em lugar errado e Marcelo perdeu a bola. Nem o homem de
vermelho seria capaz de impedir. Tudo igual no Mineirão: 1 a 1.
O Monstro se redimiu logo em seguida ao evitar que a bola de Suárez
chegasse à cabeça de Forlán. A cor do jogo no momento era celeste. O som do
Mineirão era um bom termômetro. E ele saiu do silêncio para ir quase abaixo
quando Felipão chamou Bernard, xodó do Atlético. Hulk saiu vaiado pela
primeira vez na Copa das Confederações.
Entre um sufoco e outro, um quase gol contra de Thiago Silva, e bolas e
mais bolas levantadas por Forlán, o melhor jogador da última Copa do Mundo,
Bernard achou Fred. Ele, que sempre espera por uma chance, dessa vez não
aproveitou e chutou por cima. Absolutamente tudo poderia acontecer.
A entrada do pupilo de Felipão melhorou a Seleção. Até surgiu uma tabela,
raríssima até então. A boa jogada de Neymar e Oscar parou nas mãos de
Muslera.

Cavani festeja: artilheiro empatou o jogo para o Uruguaio no início do
segundo tempo

Os minutos passavam cada vez mais rapidamente e a vontade de ganhar se
tornou medo de perder. Principalmente depois que um chute desviado de
Cavani passou rente à trave de Julio César. Mas Neymar ainda precisava
retribuir o lançamento de Paulinho. Aquele, perfeito, que originou o gol no
primeiro tempo.
Foram duas cobranças de escanteio. Na primeira, Neymar foi provocado por
Alvaro González e mandou beijinhos ao uruguaio. Na segunda, aos 40 minutos,
mandou um golpe no peito de toda Celeste, uma bola na cabeça de Paulinho. A
cabeça, que tantas alegrias já deu ao Corinthians, dessa vez alegrou o
Brasil. E o camisa 10, com a “dívida” paga, deixou o gramado nos
acréscimos, aplaudido no mesmo estádio que o vaiou no amistoso contra o
Chile, há dois meses.
Agora, só falta um jogo! E que venha a Espanha…

Jogadores vibram com a torcida após a classificação