Bahia. A terra do bom futebol

Ano a ano, o desenvolvimento do futebol da Bahia tornava-se flagrante. O acanhado campo da Graça, onde foram revelados os primeiros craques locais, já não era suficiente para os grandes públicos que começavam a surgir. Foi quando o governador baiano Octávio Mangabeira decidiu: iria entrar para a história construindo o grande estádio do Nordeste.

                Em 1951, cinco anos depois do governador anunciar sua intenção, estava pronta a Fonte Nova, inaugurada, não por acaso, com o nome oficial de Octávio Mangabeira. Sua capacidade ainda limitava-se a 35 000 pessoas, provocando protestos até o final dos anos 60. Daí em diante, com uma reforma que ampliou o limite de público para 80 000 pessoas, acabou-se o tempo em que os torcedores ficavam fora nos dias de clássicos.

                Mesmo assim, houve problemas. A ditadura militar resolveu utilizar a ampliação do estádio politicamente, criando revolta na oposição. Enquanto os dirigentes asseguravam que a Fonte Nova era absolutamente segura, alguns boatos apareceram dizendo que na nova inauguração, em 1971 (rodada dupla com Bahia x Flamengo e Vitória x Grêmio), a estrutura desabaria. Bastou um grito de alardeando falsamente o desabamento para dezenas de pessoas caírem  das arquibancadas, na maior catástrofe do futebol local. Duas pessoas morreram. “Mas lembro de ter visto pelo menos nove corpos”, conta o jornalista Mílton Cólem.

                Apesar disso, a Fonte Nova entrou no coração dos baianos, que lá viveram momentos marcantes, como em 1988, quando a Bahia conquistou o título nacional. O herói foi o meia Bobô, líder da equipe que levou 110 438 pessoas à final contra o Fluminense (Bahia 2 x 1), extrapolando o limite de 80 000 lugares. Entre eles, estava o símbolo da torcida local. O tricolor Lourival Lima dos Santos, o Lourinho, famoso por fazer despachos que garante terem amarrado muitos rivais, auxiliando o Bahia a erguer várias taças. Mais um que ajuda a deixar a Fonte Nova com cara de Bahia.

Tragédia na reinauguração: A ditadura militar queria explorar politicamente a reinauguração em 71, mas boatos diziam que o estádio desabaria. Um alarme falso piorou a situação, criando correria nas arquibancadas. Dezenas de pessoas caíram de lá. Duas delas morreram.

Na torcida, a cara da Bahia: Há mais de dez anos, o torcedor Lourival Lima dos Santos, o Lourinho, começou a aparecer nas arquibancadas. Com cabelos oxigenados, que lhe valeram o apelido, criou um estilo próprio de ajudar o Bahia, seu clube de coração.

*Em 1988, Bobô marca contra o Inter: um título nacional que emocionou o Bahia.

Fonte Nova

Nome oficial: Octávio Mangabeira

Capacidade: 80 000

Inauguração: 28/01/1951, Botafogo-BA x Guarany-BA 0

Primeiro gol: Nélson, do Botafogo

Dimensões do campo: 110 x 75 m

Endereço: Ladeira da Fonte das Pedras, s/nº, bairro de Nazaré, Salvador, BA