Beckham visita favela no Rio e viaja de moto pela Floresta Amazônica

David Beckham, um dos maiores ídolos do futebol nos últimos anos, o galã dos gramados, resolveu conhecer o país da Copa, mas de um jeito bem diferente, um jeito que a maioria dos brasileiros não conhece.

Ele fez uma viagem de moto pela Floresta Amazônica. Pé na lama mesmo. A expedição virou documentário, e a repórter Cecília Malan esteve com Beckham para saber como foi essa aventura.

David Beckham jogou três Copas. Foi capitão da seleção inglesa em duas delas. No Real Madrid, foi parceiro de Ronaldo no time dos galácticos e, fora dos campos, é uma celebridade.

Agora aposentado, depois de 22 anos de carreira, e com tempo livre, pela primeira vez na vida, ele só faz o que quer. “Eu queria fazer uma coisa que eu nunca tinha feito antes. Eu me senti renovado”, conta o ex-jogador.

Beckham convidou três amigos e passou quase duas semanas no Brasil. O roteiro começou numa favela no Rio de Janeiro e terminou numa tribo indígena no coração da Floresta Amazônica. Grande parte do percurso foi de moto.

“A gente se meteu numas estradas impossíveis. Foi muito desconfortável e muito legal”, comenta Beckham.

O galã do futebol enfrentou as dificuldades com elegância. Apesar do aperto, Beckham diz que faria tudo de novo num piscar de olhos e ainda quer trazer os filhos para a reta final da Copa: “Vai depender da escola dos meninos”.

E como vai terminar esta Copa? “Eu quero que a Inglaterra ganhe, claro, mas uma final entre Argentina e Brasil seria incrível”, diz.

Ao ser perguntado sobre que parte do Brasil ele mais gostou, a resposta é certeira: “As pessoas. Ninguém, em nenhum lugar do mundo, tem a simpatia e a alegria dos brasileiros”.

A ideia de David Beckham era juntar os amigos e tirar uns dias longe de tudo para pensar na vida. Em casa, a mulher, a ex-Spice Girl Victoria, estava cheia de perguntas: “É um caminho bem longo. E o que vai fazer com o seu cabelo? Vocês vão ter que caçar a própria comida?”.

Chegando ao Brasil, a primeira preocupação foi com as motos. Beckham parecia criança com o brinquedo novo. “Quando estou de capacete, ninguém sabe quem eu sou. Então, eu estou livre para conhecer o Brasil de verdade pela primeira vez”, afirma Beckham.

Quando bateu a fome, o bonitão não quis saber de restaurante chique, não. Foi ao quilo.

Próxima parada: Vidigal, uma comunidade pacificada com vista maravilhosa para a orla. “Inacreditável, inacreditável”, diz o ex-jogador.

No dia seguinte, o grupo partiu rumo a Manaus. O Beckham é pai de quatro (três meninos e uma menina). “Querido, papai. Espero que não seja comido por hipopótamos. Já estou com saudade. Te amo muito! Romeu”, lê a carta do filho em voz alta. “Sempre teve um motivo para eu viajar. Sempre querem que eu esteja em algum lugar, em alguma hora. Agora que eu estou aqui em Manaus, no Brasil, indo para a Amazônia, a escolha é minha.”

Então, caia na estrada. Pegou poeira, hein? A estrada até o alojamento é pior ainda. O Conrado vai ser o guia da expedição, sabe tudo de selva e ainda prepara o jantar. “Olha, a gente não pode mostrar esta parte para a Victoria. Ela acha que vamos caçar comida. Eu tenho que fazê-la acreditar”, afirma.

A partir de um ponto, só dá para ir de barco. No caso, um barco furado. Seis horas depois, eles chegam ao Rio Negro e passaram para uma chalana, barcos grandes de rio.

Mas os ingleses sentem falta de uma coisa. Eles buscam as motos numa vila ribeirinha e dão jeito para elas ficarem no barco. “Agora eu comecei a entender, porque só nós achamos que viajar de moto pela Amazônia era uma boa ideia”, afirma o ex-jogador.

No domingo que vem (22), a viagem continua. O Beckham vai acampar na selva. Vai enfrentar chuva e lama. E vai ter um encontro emocionante com uma tribo isolada no meio da floresta.