Futebol e Cinema: A vida do último romântico

Ele já foi chamado de teimoso, burro, azarado. Em sua carreira como técnico, Telê Santana foi do inferno – na trágica derrota para a Itália, na Copa de 82- ao paraíso, quando comandou o time do São Paulo, campeão do mundo, no início da década de 90. Apesar dos altos e baixos, hoje Telê virou exemplo quase indiscutível de treinador, perto de Felipões da vida. “O Telê é um dos grandes  personagens do futebol-arte. É o primeiro técnico numa galeria que só tinha jogadores, como Leônidas, Garrincha e Pelé”, afirma Ricardo Pichi, diretor de “Fio de Esperança”, projeto voltado para a televisão.

O filme é baseado na biografia de mesmo nome, do jornalista André Ribeiro, e está dividido em quatro blocos: o jogador; o treinador da Seleção Brasileira; o campeão pelo São Paulo e a vida pessoal.

“Vamos levantar os pontos positivos e negativos em mais de 30 depoimentos”, afirma André Ribeiro. Serão entrevistados, entre outros, Zico, Sócrates, Renato Gaúcho, Cerezo e Mário Sérgio.

Festa dos 70 anos do técnico é registrada

Telê Santana, que está afastado do futebol depois de sofrer um acidente vascular cerebral (AVC), já foi entrevistado pela equipe do filme que também gravou sua festa de aniversário de 70 anos.

“Fio de Esperança”vai reconstruir detalhes da infância de Telê, em sua cidade natal, Itabirito, em Minas Gerais, onde morou até ir para o Rio, quando se destacaria como ponta-direita do Fluminense.

Foi dessa época que veio o apelido Fio de Esperança. “O Telê era muito magro, tinha 57 quilos e era chamado de Banquete de Cachorro. Mas aí foi promovido um concurso para escolher um apelido mais bonito. Ganhou Fio de Esperança, título de um filme de John Wayne que estava em cartaz na época”,conta André Ribeiro.

Pelo menos uma viagem à espanha deve ser realizada, para refazer os passos da Seleção Brasileira de 82, que encantou o mundo até cair diante da Itália.

“Tudo bem que fomos derrotados. Mas aquela seleção representou um orgulho do futebol brasileiro. De certa forma, nosso filme é o resgate de uma dignidade perdida. Telê estimulava a criatividade dentro de um esquema tático”, afirma Ricardo Pichi.

Filme: “Fio de Esperança”

Diretor: Ricardo Pichi Martirani

Roteirista: André Ribeiro

Duração: 52 min

Depoimentos: Zico, Sócrates, Falcão, Renato Gaúcho, Raí, Johan Cruyff

Orçamento: R$ 500 mil

Estágio: pré-produção

Estreia: abril de 2002

Fonte: Revista Placar, Jornal dos Esportes, Jornal do Brasil, Jornal o globo, Tribuna de Minas e Arquivo Pessoal Márcio Guerra