Futebol e Cinema: O Rei que poucos viram

Figurinha fácil na telinha e na telona, Pelé já participou de filmes de ficção e documentários. Mas até hoje, o maior de todos os tempos jamais recebeu uma biografia visual à sua altura.

Quem está cuidando dessa missão é o diretor Aníbal Massaini Neto. O projeto é ambicioso. “Pelé – O atleta do Século” vai ser exibido em duas versões: uma para o cinema, com 100 minutos, e outra para a TV, numa minissérie de 4 horas de duração. Cai custar R$5 milhões e pretende contar a vida de Pelé desde os tempos de criança, em Bauru, passando pelo Santos, pela Seleção Brasileira até a consagração no mundial.

O filme vai mostrar os grandes gols, as despedidas e curiosidades como os três gols que pelé fez com a camisa do Vasco. “Ninguém tem esses gols. Também não digo onde achei. É segredo de estado”, conta Massaini, orgulhoso, após vasculhar arquivos de diversas emissoras brasileiras (como a Record e a extinta TV Tupi) e estrangeiras (como a mexicana Televisa,  a inglesa BBC, a italiana RAI e a portuguesa RTP). Além das imagens preciosas dos jogos de Pelé, o documentário vai trazer depoimentos da família, de amigos e de ex-jogadores, como Zito, Pepe e Coutinho, que tiveram o privilégio de jogar com o Rei.

As entrevistas revelam o lado moleque de Pelé, que na infância gostava de levantar a saia das moças e brincar de estilingue. Alguns colegas do Baquinho,  o time juvenil  do BAC (Bauru Atlético Clube), em que Pelé atuou antes de ser levado para o Santos, “entregam”sua paixão clubística quando adolescente. “Ele torcia pelo Corinthians. Todos garantem isso. Quando Pelé fazia um gol, costumava comemorar dizendo “Gol de Baltazar””, afirma Massaini.

O filme também vai trazer depoimentos atestando que o “nascimento”de Pelé como craque se deu numa partida de 1954 em que ele fez quatro gols na vitória do Baquinho contra o Flamengo de Vila Maria pelo placar de 12 a 1.

Mas o momento mais esperado do documentário é o gol que o próprio Pelé considera o mais bonito de sua carreira. Foi numa partida do Santos contra o Juventus, em 2 de agosto de 1959. Como o lance não foi filmado na época, ele será recriado por meio de computador. Nesse gol, Pelé foi dando “chapéus”, um atrás do outro, em quatro jogadores do Juventus, inclusive o goleiro, antes de cabecear a bola para as redes. Até o fim deste mês, Pelé repetirá essa jogada, num estúdio em Nova York.

Em seu corpo vão estar guardados 80 pontos eletrônicos para capturar seus movimentos. Catorze câmeras vão gravar o lance em diversos ângulos. Depois virá o acabamento.

“Vamos escanear fisicamente o corpo de Pelé e fazer uma espécie de operação plástica, tirar gorduras, a papada, para termos a imagem dele com 19 anos. A velocidade também não é a mesma de antes, pois hoje  ele está com 60 anos. Mas isso dá para consertar pelo computador”, explica o publicitário Luiz Briquet, cuja empresa de animação foi convocada para reconstituir o lance. Entre os depoimentos sobre o verdadeiro gol de placa, está o do goleiro do Juventus Mão-de-Onça e o do companheiro Coutinho, do Santos.

“Foi a coisa mais bonita que eu vi na vida”, afirma o ex-parceiro Coutinho, em depoimento ao documentário. Após esse gol antológico, Pelé lançou a marca registrada de suas comemorações, dando um soco no ar, A reação, porém, era a mistura de alegria com raiva, já que a torcida adversária passara o jogo inteiro xingando craque de macaco. Pelé deu o troco com a bola na rede.

Filme: “Pelé O atleta do Século”

Diretor: Anibal Massaini

Roteirista: José Roberto Torero

Duração: 100 min (gilme), 4 horas (minissérie para TV)

Depoimentos: Pelé, seus amigos de infância e colegas como os ex-jogadores Pepe e Coutinho

Orçamento; R$ 5 milhões

Estágio: Em produção

Estreia: março de 2002