Identidade Nacional Brasileira: Um Mito Chamado Brasil

IDENTIDADE NACIONAL BRASILEIRA: UM MITO CHAMADO BRASIL

DIOGENES ANTÔNIO MOREIRA JÚNIOR

http://www.chumanas.com/2013/03/identidade-nacional-brasileira-um-mito.html

– Etapas da formação da identidade nacional brasileira

– Período colonial: Raízes e inserção na atual sociedade brasileira

Nesse momento da história do Brasil não havia ainda uma nação. O Estado brasileiro só surge com a independência, portanto não havia autonomia política. Também não havia o sentimento de pertencimento ao território. O Brasil era extensão do Império português e nas relações socioeconômicas criadas aqui, a identificação dos grupos era com sua condição social, isto é, um grande proprietário de terras, um funcionário português ou um escravo, cada qual buscando impor sua condição social ou romper com ela. Uma das poucas relações que foi se desconfigurando foi a do indígena com a terra. Com o passar dos séculos, a Igreja foi se apropriando cada vez mais do comportamento dos índios e desconfigurando os padrões de cultura desse segmento social. Uma vez catequizados, a fronteira entre os indígenas e a cultura indígena ficava cada vez maior.

E não estamos afirmando que a inexistência de identidade seja um fenômeno dos primeiros

momentos de colonização. Em pleno século XVIII, revoltas separatistas no Brasil lutavam por causas extremamente regionais. A Inconfidência Mineira é o maior paradigma dessa ausência de patriotismo. Os inconfidentes não lutavam por uma causa nacional, mas sim por seus interesses. A própria Independência do Brasil serve como exemplo. Sem participação popular e com poucas batalhas, nada foi além do que uma soma de interesses entre algumas elites. Não havia um movimento nacional organizado em um território com tantos escravos e onde a terra era tão concentrada, a conquista política não podia envolver as multidões. Os conceitos de liberdade e igualdade poderiam levar a uma percepção de exclusão e ausência de democracia racial, perigosa demais para as elites brasileiras.

… Sem heróis e símbolos nacionais, as versões oficiais criaram falsos mitos, como Tiradentes, ou falsas versões dos fatos, como a idealizada imagem de independência da tela de Pedro Américo, pintado entre 1886 e 1888, período de decadência da monarquia.

Mitos do Brasil República

Em momentos diferentes do século XX, o Estado republicano acelerou o discurso de formação da identidade brasileira. Alienar a população, evitar movimentos sociais de contestação a ordem política, ocultar problemas econômicos, projetar necessidades imediatas de transformações para o futuro. Em cada conjuntura o discurso político serviu para uma finalidade diferente da elite brasileira.

 Temos uma sequência de mitos públicos:

– Com Getúlio Vargas consolidou-se o mito do povo trabalhador e a integração nacional começou a ser feita pelo rádio.

Na Ditadura Militar, o potencial de desenvolvimento estava nas “forças naturais” do país e na importância do ideal de “ordem e progresso”. A partir do paradigma “NINGUÉM SEGURA ESSE PAÍS” o povo brasileiro era portador da capacidade criativa de fazer o país crescer e

era colaborador direto do governo por ser cordial, manso e trabalhador. A ditadura construiu um “ufanismo autoritário”. A valorização do futebol como símbolo de unidade também ganhou força nos anos 70. O Brasil era a “pátria de chuteiras.” e a seleção brasileira na copa de 70, o maior expoente da publicidade política sobre a força do Brasil.

Nos anos 80 e 90 o esporte era o maior agregador dos mitos brasileiros. Ayrton Senna da Silva personificou a força do povo brasileiro, “aquele que sofre, mas não desiste”, ”que conquista grandes vitórias apesar da dificuldade”.