Mundial de Clubes da Fifa chega à décima edição e flerta com a China

Começou no Rio de Janeiro e em São Paulo. Passou pelo Japão e depois voltou para lá. Andou pelos Emirados Árabes. Está no Marrocos. E logo pode migrar para a China. Em 2013, o Mundial de Clubes da Fifa chega a sua décima edição. O torneio é considerado um sucesso pela entidade, que valoriza seu formato atual enquanto pisa em ovos ao analisar os campeões anteriores, quando a disputa não era regida pelo órgão que comanda o futebol mundial.

Todos os campeões com a chancela da Fifa: são cinco títulos europeus e quatro brasileiros. Barcelona e Corinthians têm duas conquistas cada

Em nove edições, são cinco títulos para os europeus (Milan em 2007, Manchester United em 2008, Barcelona em 2009 e 2011 e Inter de Milão em 2010) e quatro para os sul-americanos, sempre com brasileiros (Corinthians em 2000 e 2010, São Paulo em 2005 e Inter em 2006). O formato atual foi testado em 2000, no Brasil, e depois implementado de vez a partir de 2005. As disputas anteriores (entre América do Sul e Europa) não tiveram a chancela da Fifa e ainda hoje provocam brincadeiras entre os torcedores e polêmicas em bastidores: Santos (62 e 63), Flamengo (81), Grêmio (83) e São Paulo (92 e 93) comemoraram o Mundial Interclubes, chamado oficialmente de Copa Toyota ou Copa Intercontinental.

A entidade reconhece apenas aqueles que foram campeões sob sua tutela. O site da Fifa, no espaço dedicado ao Mundial de Clubes, só lista os torneios de 2000 e a partir de 2005. Nos estádios que recebem jogos da competição, quando há referências aos campeões, aparecem os das nove edições nos quais o órgão se envolveu. Se forem contabilizadas todas as formas de disputa, são 16 títulos para os europeus e 16 para os sul-americanos. Assim, 2013 é um tira-teima.

PRÓXIMA PARADA PODE SER A CHINA 

A Fifa se anima com a ideia de ver o torneio sair do circuito habitual do futebol – Europa e América do Sul. Vê nisso um possível incremento ao esporte no cenário local. E aproveita o forte poder econômico que os governos costumam oferecer. É bastante evidente que a entidade está assanhada com a possibilidade de o Mundial migrar para a China em 2015 e 2016. Trata-se de um mercado muito forte – e com potencial para ser explorado.

Mundial está na quarta sede diferente

– Já temos interessados, e fico feliz em dizer que a China é um deles. É um ótimo sinal. É um país que está em desenvolvimento – comentou o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke.

Mudanças devem acontecer, mas sutis. A Fifa deseja anunciar, de uma só vez, as sedes dos próximos quatro anos do Mundial de Clubes. Mas serão necessariamente dois países diferentes, cada um recebendo duas edições. A China pinta como favorita já para 2015 e 2016. Em 2014, Marrocos seguirá como casa do torneio.

Mas as modificações não passam disso. A Fifa dá sinais de total aprovação ao formato de disputa e não demonstra o mínimo interesse em levar a competição para centros mais famosos – em especial a Europa.

– Está funcionando. Tem um representante de cada continente, e isso é bom. Pode ter novo formato no futuro? No momento, não é uma discussão. Tem funcionado muito bem nos países em que vem sendo disputado, em diferentes continentes. Na Europa, temos jogos todas as semanas. Não tenho certeza de que lá seja o lugar para receber estes jogos. Mas é fundamental ter o campeão europeu presente – opinou Valcke.

Mas nem tudo são rosas. A Fifa já teve que lidar com o desinteresse dos clubes europeus (especificamente em 2000) e com a falta de empolgação do público (caso das disputas em Abu Dhabi, em 2009 e 2010, quando a organização chegou a pagar para torcedores irem aos jogos). Este ano, no Marrocos, paira certo temor sobre a possibilidade de os estádios não lotarem, embora a Fifa se anime com a mobilização das torcidas de Raja Casablanca e Atlético-MG, em especial.

EDIÇÃO DE 2013 COMEÇA NESTA QUARTA

Estádio de Agadir recebe abertura do Mundial nesta terça

Raja Casablanca e Auckland City abrem nesta quarta-feira, a partir de 17h30m, a décima edição do Mundial. O jogo em Agadir reunirá duas equipes que já participaram do torneio. Os marroquinos, agora donos da casa, tentarão ir bem melhor do que em 2000, quando perderam os três jogos que disputaram no Brasil. E o representante da Nova Zelândia é um velho conhecido do Mundial. Já vai para sua quarta participação no torneio. Disputou-o em 2006, 2009, 2011 e 2012. O máximo que conseguiu foi um quinto lugar, em 2005. Em sete jogos, tem cinco derrotas e duas vitórias.

A partida interessa muito ao Atlético-MG. O vencedor deste encontro enfrentará o Monterrey, do México, no sábado. E aí quem ganhar pegará o Galo na semifinal, dia 18. Os mexicanos deixam os brasileiros especialmente preocupados. Vão para seu terceiro Mundial consecutivo e contam com um futebol mais desenvolvido – entre seleções, o México costuma dar trabalho ao Brasil.

O outro lado do emparelhamento pertence ao Bayern de Munique, o protagonista deste Mundial. Os alemães pegarão nas semifinais ou o Guangzhou Evergrande, da China, time de Conca, Elkeson e Muriqui, ou o Al-Ahly, do Egito. Eles também se enfrentam sábado. Os africanos disputaram o torneio em 2005, 2006, 2008 e 2012. Caíram nas semifinais em 2006 para o Inter e no ano passado para o Corinthians, sempre impondo grandes dificuldades.

Brazuca, a bola da Copa de 2014, já será usada no Mundial

Os quatro primeiros jogos do Mundial de 2013 serão em Agadir, na costa atlântica do Marrocos. Os quatro últimos ocorrerão em Marrakesh – disputa do quinto lugar, semifinal do Atlético-MG, disputa do terceiro lugar e final. A decisão ocorre no dia 21. No Mundial de Clubes, a Fifa já usará a bola que vai rolar na Copa do Mundo de 2014, a Brazuca. A entidade também confirmou que contará com a tecnologia que determina se um lance de dúvida em cima da linha deve ser validado ou não.

Antes de cada um dos jogos, haverá uma homenagem a Nelson Mandela, líder sul-africano morto na semana passada. As partidas terão um minuto de silêncio, e os telões projetarão imagens do símbolo da luta por liberdade na África.