Taça Jules Rimet é roubada na CBF

 RIO – Numa ação rápida e audaciosa, dois ladrões roubaram na noite de ontem três das mais valiosas taças conquistadas pela Seleção Brasileira: a Jules Rimet, ganha no tricampeonato mundial do México, a taça Independência e a taça do Pan Americano de 1956, quando o Brasil foi representado por uma Seleção gaúcha – todas de ouro. As taças se encontravam numa vitrine blindada do gabinete do presidente da entidade, Giulite Coutinho, no nono andar do edifício João Havelange na rua da Alfândega. Ao tomar conhecimento do roubo, o dirigente ofereceu uma recompensa a quem fornecer informações para ajudar a resgatá-la, já que a polícia não encontrou nenhuma pista que conduza à localização dos ladrões.

   O roubo ocorreu às 21 horas, quando dois homens negros, altos e armados renderam o vigia João Batista Maia de 55 anos, que, ameaçado de morte, foi levado ao nono andar, onde ficou amarado e amordaçado. A vitrine foi arrombada pelos ladrões, que, na opinião da polícia, teriam penetrado pelos fundos do prédio e demonstraram um perfeito conhecimento do seu interior. O vigia só conseguiu se desvencilhar da mordaça aos 40 minutos de ontem quando desceu e pediu a um grupo de pessoas que recolhiam papéis na rua. O presidente da Comissão Brasileira, de Arbitragem de Futebol (COBRAF), Altemar Dultra de Castilho, chegou ao local às 2 horas, e confirmou a autenticidade da Taça Jules Rimet, já que, a  princípio, surgiram dúvidas sobre se o troféu era verdadeiro. O delegado de plantão da 4ª DP, Fausto Candiago, e o perito Solimar promoveram investigações até às 4 horas, mas não obtiveram nenhum resultado positivo. Segundo eles, os ladrões devem ter usado luvas ou envolvido os dedos em esparadrapos, pois não foram encontradas impressões digitais, Feita em ouro maciço, a Taça Jules Rimet pesa 1 quilo e 800 gramas e pelo preço do mercado seu valor chega a Cr$ 26 milhões. No entanto trata-se do mais importante troféu já conquistado pela seleção que marcou a ascensão do futebol brasileiro à condição de melhor do mundo. Seu valor estimativo pelo que simboliza no sentimento esportivo do povo brasileiro é incomensurável. Este é o segundo desaparecimento da Jules Rimet, oferecida ao país que conquistasse três títulos mundiais, fato que só se deu em 1970, com  o tricampeonato brasileiro. Roubada pela primeira vez em Londres, antes do Mundial do México, a polícia inglesa empreendeu uma intensa busca até conseguir resgatá-la. Agora, as investigações ficarão à cargo da delegacia de Roubos e furtos.
   A CBF possui uma réplica da taça Jules Rimet em ouro, que poderá substituir a original, roubada, a informação foi prestada pelo próprio presidente da CBF, Giulite Coutinho, ele fez um apelo dramático. Quem achar a verdadeira taça Jules Rimet, que devolva-a imediatamente a CBF ou coloque-a numa igreja.
21/12/1983