‘Um alívio’, diz Deco sobre comprovação de erro de laboratório em caso de doping

Alívio. Foi o sentimento do ex-craque Deco ao saber do resultado negativo do seu exame de doping divulgado no início de março pelo laboratório de Lausanne (Suíça), a pedido da Fifa. Em 2013, quando ainda era jogador do Fluminense, ele havia sido condenado a um ano de suspensão pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) devido ao resultado positivo para hidrocloratiazida (diurético) e carboxi-tamoxifeno (hormônio), em exame no jogo Fluminense x Boavista, no Carioca. O resultado havia sido detectado pelo Ladetec, laboratório da UFRJ, que será processado, juntamente com a Agência Mundial Antidoping (WADA), por danos morais pelo ex-jogador, como antecipou a coluna “Panorama Esportivo”, do GLOBO, neste sábado.

Deco já tinha decidido pela aposentadoria quando o resultado do Ladetec foi divulgado. Ele sempre alegou inocência. O mesmo material coletado pelo laboratório, na época ainda credenciado pela Wada, foi analisado pelos profissionais do laboratório suíço, que será responsável pelos exames de doping da Copa do Mundo.

— Na verdade, é um alívio mais para o mundo, para as outras pessoas e para a minha imagem, porque eu sempre soube, e disse, que não havia feito nada — declarou Deco.

O ex-jogador recebeu apoio na época do resultado dos amigos do Brasil e do exterior, mas a repercussão internacional, acredita ele, foi maior porque a distância pode ter aumentado a importância do caso.

— Quando você escuta uma notícia de doping, fica um impacto muito forte. Aqui no Brasil, as pessoas podem ter um entendimento maior, mas lá fora ninguém quer saber. Então, de alguma forma, isso foi muito prejudicial para mim, porque sempre tive uma carreira limpa — lembrou o meia, que jogou no Chelsea, Barcelona, Porto e seleção de Portugal antes de encerrar a carreira no Fluminense.

De quem é a culpa?

Quase um ano após o Laudetec ter divulgado o resultado positivo para doping, Deco não entende como o laboratório concluiu a análise.

— Eu não sei o que aconteceu. Não entendo como poderia dar um resultado de algo inexistente. E o laboratório foi descredenciado depois. Para mim, o mais importante era terminar a carreira sem nenhum tipo de mancha — declarou o ex-camisa 20.

Encerrada a carreira e limpa a mancha no currículo vencedor, Deco vai em busca de indenização por danos morais. Ele contratou o escritório dos advogados Marcos Motta e Bichara Neto para cuidar do caso.

— O Deco sempre nos fez acreditar em sua inocência. E a perseguimos fazendo o nosso papel, que é organizar a prova. Alegamos que existia uma nuvem de dúvida nos casos examinados pelo Ladetec. A Fifa se convenceu e pediu para que o material coletado de Deco fosse reexaminado pelo laboratório da entidade em Lausanne, na Suíça. Deu negativo — explicou Marcos Motta, para quem é impossível medir em dinheiro o valor da indenização cabível a Deco:

— Lançaram uma dúvida sobre a carreira dele. Ele terminou como trapaceiro, dopado… Um atleta que não respeita as regras. Tudo isso baseado em um exame que foi confirmado por um laboratório que foi descredenciado depois. É impossível fazer uma apuração de perdas e danos, mas queremos que haja ressarcimento, reparação por todo o dano causado a Deco. De quem é a culpa? Ladetec, UFRJ, União, Federação ou da Wada? Afinal, é a Wada que credencia.

O coordenador geral do Ladetec, Francisco Radler de Aquino Neto, afirmou que não pode se pronunciar em casos ainda em andamento.