É só falta técnica

Por Marçal Justen Neto

Na década de 60, o futebol brasileiro era basicamente amador, principalmente no interior do país. No Paraná, havia vários times sustentados por famílias e que ainda viviam na base da contribuição de alguns abnegados.Assim era o União Bandeirante,da pequena Bandeirantes, no norte do estado. O time era dirigido pela família Meneghel. O estádio chamava-se Comendador Luís Meneghel e a família estava presente em todos os cargos do clube, desde o presidente até o diretor de futebol. Mas os Meneghel tinham outra fama: a de violentos.

  Serafim Meneghel, na época vice-presidente do União, andava com uma arma Schmidt and Wesson calibre 38 na cintura e não levava desaforo pra casa. Conhecido por Tigrão, Serafim fazia questão de assistir a todos os jogos do União de dentro do campo. Em 1968, a equipe enfrentava o Seleto, de Paranaguá, que se perdesse seria rebaixado. Como o União tinha uma boa equipe, a partida parecia fácil, mas o Seleto armou uma boa retranca e ia segurando o empate. Já quase no final da partida , o time de Paranaguá arriscou um ataque e a defesa do União não teve alternativa: cometeu o pênalti. Não havia como não marcar. O árbitro apitou com força e apontou para a marca do cal. O banco do União não se conteve. Técnico e reservas reclamavam e Serafim Meneghel,antevendo a derrota, resolveu tomar uma atitude. O Tigrão invadiu o gramado e a confusão ficou armada. O árbitro foi cercado e houve muito empurra-empurra. Serafim não conseguia chegar perto do juiz, tamanha a bagunça que havia formado. Nervoso, tirou o 38 da cintura e deu um tiro pra cima. Assustados, todos saíram correndo e finalmente ele pôde conversar com o tal árbitro:
  – O que você marcou, seu safado? O quê?
  – O que eu marquei? Falta técnica contra o Seleto… só falta técnica.