Morre Julio Grondona, presidente da Federação Argentina de Futebol desde 1979

Morreu nesta quarta-feira o argentino Julio Humberto Grondona, aos 82 anos. Um dos dirigentes esportivos mais famosos do mundo, ele era presidente da AFA (Associação de Futebol Argentino) desde 1979, além de ter ocupado também desde 1988 um dos cargos de vice-presidente da Fifa.

Grondona havia sido internado às pressas na madrugada desta quarta  em um hospital de Buenos Aires, após ter um problema no coração. Os exames constaram insuficiência cardíaca, causada por aneurisma na artéria aorta. Na UTI, ele passou a respirar por aparelhos e não resistiu, falecendo às 12h50 (horário de Brasília).

O cartola não teve tempo de anunciar o novo técnico da seleção argentina. Na última terça, Alejandro Sabella, que conduziu a equipe albiceleste ao vice mundial no Brasil, revelou ao dirigente que não seguirá no comando; Gerardo Martino, ex-Barcelona, é o favorito para ser o técnico.

Grondona deixa esposa e três filhos: Liliana, Humberto (que hoje é técnico de futebol) e Julio, o “Julito”, atual presidente do Arsenal de Sarandí.

Vida e carreira

Nascido em 8 de setembro de 1931, Julio Grondona começou sua trajetória no futebol em 1956, quando fundou, ao lado de seu irmão, o Arsenal Fútbol Club, em Sarandí, na Grande Buenos Aires. O cartola comandou a equipe por quase 20 anos, até 1976, quando foi eleito presidente do tradicional Independiente.

Após dois anos de sucesso e títulos na equipe vermelha, Grondona foi eleito presidente da AFA em 1979, pouco depois da conquista da Copa do Mundo pela Argentina, em 1978. Ele foi o sucesso de David Bracuto, então presidente do Huracán.

Com “Don Julio”, como era conhecido, no comando da Federação, a Argentina alcançou três finais de Copa, ganhando o título em 1986 e ficando com o vice em 1990 e 2014. Além disso, a seleção albiceleste ganhou duas medalhas de ouro em Olimpíadas (2004 e 2008) e seis Mundiais sub-20 da Fifa.

Durante sua gestão na AFA, Grondona também foi convidado, em 1988, por Joseph Blatter para ter um cargo na Fifa. O argentino assumiu a Comissão de Finanças e o Conselho de Mercadotecnia e Televisão. Depois, tornou-se vice-presidente da entidade máxima do futebol.

Ao longo dos 35 anos no comando do futebol argentino, Grondona se envolveu também em muitas polêmicas. Em 2003, por exemplo, foi acusado de antissemitismo, depois de dizer, em uma coletiva de imprensa, que “judeus não gostam de trabalhar”.

Ele também foi um dos investigados depois que estourou o escândalo de compra de votos da Fifa na eleição que apontou o Catar como sede da Copa do Mundo de 2022. O Comitê de Ética da entidade, no entanto, não apontou irregularidades nos votos do argentino.