Conceituação de Esporte

Conceituação de esporte

Para Bruno Otávio de Lacerda e Antônio Jorge Soares (2008), ao longo do Século passado, os esportes se tornaram espaços privilegiados para construção de metáforas e analogias sobre a qualidade ou o caráter dos povos das nações representadas em competições internacionais.

“Pois esse tipo de competição coloca em oposição representantes de diversos países ou regiões. Essas situações suscitam sentimentos de pertencimento e identificação, tanto nos envolvidos diretos (atletas e técnicos) quanto indiretos (jornalistas e espectadores)” – Vanessa Mello – Jogos Olímpicos de 2004: as narrativas da identidade brasileira. UNIrevista -2009

“O esporte deve ser visto como algo que transcende o âmbito da atividade física, pois na sociedade contemporânea ele passa a agir sobre a cultura cotidiana, através do esporte-espetáculo”- Miguel de Moragas Spa – Deporte y Medios de Comunicacion. Sinergias crecientes. Revista Telos 1994.

“A ideia de nação poderosa constituída por cidadãos fortes e saudáveis fez com que os estados totalitários utilizassem o esporte como veículo publicitário de seus regimes políticos, fato ocorrido nos Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936, que foram usados como propaganda do Estado nazista alemão, servindo para unir os alemães em torno do sentimento ultranacionalista do nazismo, divulgando também a suposta superioridade da raça Ariana” – A história do uso político do esporte – M.A. Sigoli – Revista Brasileira Ciência em Movimento.

“Os Jogos de Munique – 1972 já foram tumultuados antes mesmo de seu início. Países da África negra, Iugoslávia e os atletas negros norte-americanos e do Caribe prometeram boicotar a competição caso a Rodésia participasse. O país praticava o apartheid e foi suspenso da participação dos Jogos para evitar a desistência dos atletas negros” – Site Terra – 2008

Megaeventos

“Megaeventos são eventos de alto nível, de curta duração, como os Jogos Olímpicos e Feiras Mundiais, e que são geralmente pensados em termos de turismo e seus impactos econômicos” – H.Hiller – Post-event outcomes and the post-modern turn: the Olimpics and urban transformations – European Sport Management Quartely – 2006.

Sobre essa nova visão dos grandes eventos esportivos, agora sob a ótica econômica, PRONI (2008) afirma que “entre as mudanças mais visíveis estão as que transformaram o esporte de alto rendimento em atividade profissional orientada para satisfazer a próspera indústria do entretenimento. Sem dúvida, uma racionalidade econômica passou a presidir a organização do esporte espetáculo.

Nas Olimpíadas de Sidney,  Gustavo Kurten, nosso maior tenista, se viu envolvido em uma grande confusão entre patrocinadores. O Comitê Olímpico Brasileiro era patrocinado pelo Olympikus, enquanto Guga era patrocinado pela Diadora. O impasse fez com que o tenista desistisse da competição. “Gustavo Kurten, no conflito, pode representar um dos exemplos das reorientações nos processos de identificação que vive o atleta num mundo globalizado. Ele é brasileiro, representa a sua nação em eventos ao redor do mundo e é divulgado pela mídia em escala global, fazendo dele um atleta admirado e identificado por pessoas de várias nacionalidades. Concomitantemente, a sua condição de profissional o fez representar a empresa que o patrocina, independente da nacionalidade da empresa” – Thiago Lisboa Bartholo – em Identidade, Negócio e Esporte no Mundo Globalizado. Revista Ciência do Esporte – Campinas – 2006.

Guilherme Gomes (Copas e Olimpíadas  vêem interesse econômico-político e impacto variável. Contraponto, 2010) afirma que “de forma fugaz, os eventos esportivos de caráter global promovem a valorização e auto-estima das sociedades responsáveis por eles, mas, assim que o evento termina, a euforia vai sendo substituída pelos problemas e questões do cotidiano”.

M.W. PRONI destaca que “pode acontecer que os Jogos Olímpicos não tragam o legado esperado. Foi o que aconteceu em Atenas (2004), por causa do medo do terrorismo, que reduziu as receitas com o turismo e ampliou bastante os gastos com segurança. E, para agravar a situação, houve denúncias de uso indevido de recursos públicos. Sem dúvida, estudar os erros e acertos do Comitê olímpico de Atenas parece necessário para tentar evitar que se repitam no futuro”.

A caminhada brasileira para ser sede da Olimpíada começou em 1992. Naquela época foi realizada uma campanha para que Brasília sediasse a disputa de 2000. Depois o Rio tentou em 2004 e 2012.  Uma curiosidade que pouco foi divulgada é que o Brasil tentou, em 1936, sediar os jogos.  O desejo não foi formalizado e Barcelona e Berlim disputaram essa vaga, que acabou ficando com os alemães.

Kátia Rúbio, em Os Jogos Olímpícos e a transformação das cidades: os custos sociais de um megaevento (2005), afirma que “as cidades olímpicas têm se constituído como lugares capazes de ser reconhecidos como de importância no cenário mundial ou regional, o que as tornam representativas no contexto da competição; devem abrigar um grande número de pessoas produzindo diferentes atividades, simultaneamente, condições que as identificam com os grandes centros urbanos e como decorrência dessa condição abrigam importantes representates do capital internacional, capazes de proporcionar o apoio necessário para tal realização.

Jogos Olímpicos de 2016 tem data de início marcada para o dia 5 de agosto de 2016. Prevista a participação de 10.500 atletas para a disputa de 28 modalidades olímpicas e 22 paraolímpicas. Trinta e quatro instalações esportivas serão utilizadas, sendo que 18 já estão prontas e apenas 26% serão feitas exclusivamente para os Jogos. A Vila Olímpica terá uma área de 750 mil metros quadrados e nenhum atleta levará mais do que 50 minutos para chegar aos locais de disputa dos jogos. O refeitório terá capacidade para atender a cinco mil e quinhentas pessoas simultaneamente. O projeto ecológico prevê o plantio de 24 milhões de árvores, sendo três milhões na Floresta da Tijuca, proporcionando um evento neutro em emissão de carbono. O Aeroporto Internacional Tom Jobim terá a capacidade de 120 mil toneladas em 2016.

Marilena Chauí, em  Brasil – Mito Fundador e Sociedade Autoritária (Fundação Perseu Abramo – 2000) diz que “mesmo sem pesquisa, pode-se constatar a existência de uma crença generalizada de todos os países quanto a alguns atributos do Brasil e dos brasileiros, entre eles, como o país sendo um dom de Deus e da Natureza e seu povo sendo pacífico, ordeiro, generoso, alegre, sensual, mesmo quando sofredor” p.8

Fonte: Revista Placar, Jornal dos Esportes, Jornal do Brasil, Jornal o globo, Tribuna de Minas e Arquivo Pessoal Márcio Guerra